quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Hora de ser feliz!!!


Todo ano é assim, um ciclo se encerra, a gente faz um balanço, vê onde errou o que poderia melhorar e procura se encher de uma energia (que não sei nem desconfio da onde vem) para encarar o novo tempo que chega.

Esperança é o nome que se dá a esse sentimento que nos faz crer que o que está ruim vai melhorar, que vai dar certo (seja lá o que for pelo que cada um de nós está torcendo) e que sim teremos forças para enfrentar as adversidades que possam surgir.

Amanhã na hora da virada do ano, nos reuniremos como sempre fazemos, algumas cadeiras estarão vazias nos fazendo lembrar os que partiram, mas também haverá aqueles que chegaram para nos mostrar que por maior que seja a dor da partida é a alegria da chegada que nos alimenta e nos faz seguir em frente.

De todas as partes do mundo a humanidade irá se unir numa corrente esperando por melhores tempos, chegando até mesmo a nos fazer crer que eles são possíveis, independente de nossas diferenças de raças e credos.

Ontem, hoje, amanhã e sempre, acreditar é a chave, é esse o combustível que deve nos mover.

Racionalmente pode-se imaginar que toda essa esperança, corrente positiva, e mais lá o que seja não deverá dar em nada, mas é isso mesmo que temos a perder acreditando num futuro melhor: nada. Ou alguém acha que torcer para que as coisas dêem certo pode influenciar para acontecer o contrário?

Talvez seja ingenuidade minha, mas o que eu perco tendo esperança que a gente pode sim melhorar cada vez mais, que com o passar dos anos a gente possa evoluir, ser mais justo e que o mundo possa ser um lugar mais legal para meus filhos e para os meus neto?

Hoje, diferente de quando mais jovem, percebo com mais clareza a finitude das coisas e seu espírito cíclico. Ainda são frescas as lembranças da agonia e partida de meu pai.

Lembro que a unidade de tratamento intensivo dividia andar com o berçário. Indo e vindo do hospital naqueles dias, era no berçário após o horário de visita, observando os pequeninos que chegavam, que buscava entender como estava se dando a partida de meu pai.

Temos o tempo a favor para nos ajudar a resolver os problemas ele é sempre um grande aliado, mas a contrapartida é que de certa forma ele é escasso, então também não temos tempo a perder.

Amanhã, o futuro, não é nada mais do que um monte de “hojes” somados uns aos outros, então não há o por que esperar para lutar pelo que se quer, para se falar o que se sente, para se viver o que há para se viver, assim...sejamos felizes.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O beija-flor e as flores da manhã.

Vivi um período de escuridão em minha vida.

A tristeza havia tomado conta do meu coração. Por vezes deixei até mesmo de me dar conta da minha maior fortuna pessoal: minha família.

Passei dias perdido dentro de mim mesmo. Depressão em estado bruto.

Se não tenho (nenhuma) saudade daqueles dias de trevas, a contrapartida disso é que hoje sou fruto de tudo o que vivi, especialmente das adversidades que me forjaram, me tornaram mais forte. De certa forma, creio que esse momento foi um divisor de águas em minha vida, consolidou em mim o que sou, sedimentou minhas convicções. Lutei e não me perdi.

Foi uma época de profundo questionamento de minha essência: o quão de fato eu era adequado para o mundo? Qual era meu espaço, num mundo, que aos meus olhos premiava aqueles que não tinham sensibilidade, que não pautavam sua conduta pelo respeito ao próximo, que se moviam por interesses menores.

Aquela dinâmica que parecia dominar o mundo e suas relações não era a minha e era como seu eu fosse um beija-flor num mundo feito para gaviões.

Foi nessa época que me deparei com o trabalho da cantora Vânia Abreu. De voz doce e sedutora, com canções lindas capazes de falarem fundo na alma, a arte dessa baiana tocou meu coração.

A beleza de suas canções fez com que eu visse que havia sim no mundo pessoas com capacidade de enxergar além do que seus olhos podem ver, capazes de não ceder a apelos fáceis, capazes de seguirem seu rumo, mesmo que para isso tenha que se pagar um elevado preço. O preço de ser especial, de não fazer parte da manada.

Com canções como As quatro estações, Dó de mim entre outras, Vânia me conquistou, trouxe um fecho de luz... me ajudou a sair do breu.

Anos se passaram.

Certo dia a notícia: Surgiu uma oportunidade e lá fui eu conhecer a Vânia pessoalmente após um de seus shows. Frio na barriga. Ainda mais doce do que eu pudesse imaginar Vânia foi de uma tremenda atenção. Como fã até que me comportei bem... Eu acho.

Enviar e receber e eis que recebo duas semanas atrás um email, era um convite e tanto: show de Vânia Abreu, no (lindo) Teatro Bradesco para gravação de seu primeiro DVD. Custei a acreditar. De pronto confirmei minha presença e comecei contar os dias. No dia e hora marcada (aliás, duas horas antes) lá estava eu com a Rô contando os minutos para o início do show.

Num show assim, que tem como finalidade a gravação de um DVD, são vários os momentos quando uma música precisa ser executada mais de uma vez... Maravilha... Teria ficado horas e horas, quantas fossem necessárias.

Não bastasse a qualidade de sua música, Vânia brindou os presentes com um gesto de enorme grandeza: um sincero pedido de desculpas.

No calor da gravação ao apresentar sua banda, Vânia apresentou Paulo Dáfilin, apenas como violinista da banda, quando na verdade além de responsável pelos arranjos e pela Direção Musical, Paulo é seu grande parceiro ao longo de sua carreira.

Com a humildade de poucos, bem poucos que se diga, Vânia contando com a compreensão de todos e pediu se era possível repetir a canção quando ela havia apresentado a banda para refazer essa apresentação de forma mais “adequada” a importância de seu parceiro. Gesto lindo, além do que ganhamos mais uma música de lambuja. Eu adorei: o gesto e o repeteco.

A contagem dos dias agora é para poder constatar o resultado daquela noite que vai ficar gravada em minha memória pelo resto dos meus dias.

Muito obrigado Vânia por sua atenção comigo quando de nosso encontro, por sua arte que tanto me encanta e que fez de minha vida ainda mais feliz!

Visite:

http://www.youtube.com/vaniaabreucantora

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Joga pedra na Geni – Capítulo II – O julgamento final.

De um lado uma aluna de gosto (ou ausência dele) mais que duvidoso, do outro um bando de selvagens, atiçados por uma minissaia mais provocante (parecia um show da Rita Cadilac no Carandiru) e imaginava-se que já teríamos aí os elementos necessários para a tragédia do episódio ocorrido na fundamentalista UNI(TALI)BAN, certo?


NÃO!!!


Assim como num anúncio das facas ginsu...


- Mas espere não é só isso!


Para surpresa de qualquer ser minimamente pensante lá vem a Direção (qual?) da dita universidade (assim com letra minúscula bem miudinha) e expulsa nossa Geni, ou Geisy como queiram, num "julgamento" de dar inveja a qualquer ditadurazinha de oitavo mundo.


Numa nota inclassificável, pelo menos quando se abre mão de usar um vocabulário chulo, a Direção (soa engraçado usar a expressão "Direção") defende a ação dos alunos.


Com dirigentes assim não é mesmo de se estranhar o comportamento, ou melhor, o mau, melhor ainda, o péssimo comportamento dos alunos envolvidos no episódio.


Num trecho a nota diz textualmente:


"Foi constatado que a atitude provocativa da aluna, no dia 22 de outubro, buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar, o que resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar".


Defesa do ambiente escolar?


Se o que vimos era uma manifestação de defesa do ambiente escolar imaginem quando aqueles alunos (?) resolverem fazer bagunça... Sai de baixo.


A UNI(TALI)BAN apesar de instituição privada, deveria pautar suas ações pela defesa do interesse público de formar jovens.


Nesse sentido, deveriam aproveitar a oportunidade e dar para Geni um manual de bons modos e etiqueta no ambiente, dito, acadêmico. Advertências, suspensões e aí sim talvez como último recurso a expulsão. Aos alunos em geral a instituição deveria ministrar noções elementares de civilidade com ênfase a tolerância.


Mas se isso me parece tão óbvio, me pergunto: por que não o fizeram?


Óbvio, a UNIBAN não passa de uma instituição com foco unicamente mercantil, assim não há como resistir ao apelo de tentar transformar a vítima em ré, algo mais velho do que andar pra frente.


De novo numa atitude meramente mercadológica, ressentindo-se da péssima repercussão de sua "sentença", a instituição voltou atrás.


Tarde demais...







domingo, 1 de novembro de 2009

Joga pedra na Geni.


Navegava pela internet na semana passada quando me deparei com a seguinte manchete: “Aluna da Uniban ameaçada de estupro no campus por usar minissaia”.

Se a chamada da matéria já me parecia insana, bizarra, seu conteúdo era ainda pior.

Uma aluna teria sido ameçada de estupro por ter ido para a aula com uma minissaia provocante. Que não tenha sido de fato ameaçada de estupro, ok. Exagero da matéria? Ok!

Mas o que dizer da saída da aluna escoltada por policiais, num episódio que parou toda a universidade, nos brindando com cenas de selvageria e hipocrisia, um inacreditável linchamento moral? Inacreditável? Será mesmo?

Não escrevo para defender o bom gosto da moça, ou mesmo a ausência dele. Ok!

O ambiente acadêmico deveria ser freqüentado com trajes mais adequados? Ok! Que seja...

Uma questão apenas: o que teria de acadêmico um ambiente freqüentado por todo tipo de selvagem? Que me perdoem os habitantes das selvas pela comparação. Uma selva deve ser um ambiente bem mais harmonioso, definitivamente mais equilibrado e menos caótico do que o campus da UNIBAN ABC. Animais por animais, os selvagens são bem menos perigosos.

Há quem tenha se espantado pelo ocorrido ter se dado dentro de uma universidade: eu não!

Algum tempo atrás, num desses meus textos mundialmente lidos por umas três ou quatro pessoas, chamava a atenção para a apatia das organizações sociais no Brasil, em especial a UNE.

O episódio ocorrido nas depências da UNIBAN – ABC (guardem essa sigla), ilustra bem essa realidade. A agressão sofrida pela aluna nos mostra que a UNE é uma representante mais que legítima da classe estudantil brasileira. Ações como essa, o silêncio da UNE e dos alunos em geral, que não foram capazes de organizar um movimento contrário, nos dá bem uma dimensão do perfil médio do estudante brasileiro. Deve haver uma minoria contrária ao ocorrido, a manada porém...

Mas Geisy veio nos salvar, ela é a nossa Geni.

Na obra de Chico Buarque, a Ópera do Malandro, a prostitua Geni era agredida por todos, dizia assim o refrão:

Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni.

Por uma noite com Geni, o comandante do Zepelim que queria bombardear a cidade mudaria de idéia, aí o refrão passa a ser:

Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geléia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo - Mudei de idéia
- Quando vi nesta cidade
- Tanto horror e iniqüidade
- Resolvi tudo explodir
- Mas posso evitar o drama
- Se aquela formosa dama
- Esta noite me servir
Essa dama era Geni
Mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela
- e isso era segredo dela
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão
Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni

Que a agressão sofrida por Geisy sirva para salvar nossos estudantes de sua ignorância e intolerância. Afinal eles são “o futuro da nação”;

Que sirva de exemplo de como não se deve agir diante do “diferente”;

Que usem toda essa capacidade de se indignar para quem sabe tentar melhorar o país;

Que usem sua liberdade de se expressar, não para agredir covardemente quem quer que seja, mas sim para protestar contra tantos desmandos que acontecem no Brasil.

Que ao menos se calem, pelo que vimos já será um grande avanço.

sábado, 31 de outubro de 2009

As garrafas coloridas...


A vida vai passando e vamos conhecendo novas dimensões dos nossos sentimentos.



Há quem diga que a palavra saudade só exista na língua portuguesa, não havendo uma correspondente exata, que dê o mesmo sentido a mesma dimensão, em outras línguas. Nostalgia, sentir falta... Saudade é isso, mas é mais, muito mais, difícil mesmo de explicar.

Aprendi encomendando uma coroa de flores por ocasião da morte de meu pai que para saudade não existe plural:


- O sentimento é tão forte que o singular é suficiente. Explicou-me o atencioso florista enquanto confeccionava meu derradeiro presente para meu pai.

Um colega de trabalho sempre dizia que nascemos para sentir saudade, mesmo que seja de ontem.

Inexplicável que é, a saudade tem uma gama de intensidades, que vão desde a saudade gostosa de se sentir, aquela de alguém que chegará em breve, até a mais doída de todas que é aquela que sentimos de alguém que perdemos e que nunca mais vai voltar. A saudade é sentimento, mas numa situação de perda definitiva se apresenta numa forma física, uma falta de poder tocar, de abraçar, de sentir o cheiro, uma saudade que não passa.

Uma saudade gostosa (?) de se sentir é a saudade de nossa infância. Há quem tenha sofrido nessa fase e que talvez não guarde boas lembranças, via de regra porém, uma infância minimamente saudável guarda momentos deliciosos de serem relembrados.

De minha infância tenho saudade de muita coisa, de brincadeiras de rua, de fazer balão (naquela época podia), mas uma em especial é a da Rural do Seu Jarbas.

O Seu Jarbas era o pai da Profa. Miriam, Diretora do Externato Brigadeiro Faria Lima, onde eu estava na pré-escola.

Além de pai da Diretora o Seu Jarbas também era o motorista responsável pelo transporte escolar. Dividindo minha atenção entre o fim do episódio dos Três Patetas e a chegada do Seu Jarbas, ansioso esperava por mais uma viagem naquela Rural azul que me parecia tão grande.

Os mesmos amiguinhos, o caminho o mesmo, ainda assim cada dia parecia reservar uma nova aventura.

Por aquelas janelas eu via o movimento das ruas, as pessoas (todo mundo tão grande) e vibrava quando cruzava uma viatura policial, ainda mais quando nossos acenos eram retribuídos pelos policiais que naquela época ainda eram associados a heróis. Saudade do tempo que a gente sabia quem eram os bandidos e os mocinhos. Saudade.

Como pai, tenho saudade de meus filhos pequenos. Era muito jovem e hoje percebo que não vivi aquele momento com a intensidade devida, tinha tanta responsabilidade, tanto medo do futuro e da vida que de certa forma, peninha, não vi aquele tempo passar.

Acho que sentimos tanta saudade, porque no fim das contas percebemos que o tempo, implacavelmente, passa. Passa rápido. Tão rápido que dia desses me deparei com a saudade de meu filho pela sua infância.

Voltáva para casa quando o celular tocou. Era o Kike, ligando do Canadá.

Conversa vai, conversa vem, ao ser descrito um trecho da estrada por onde passava naquele momento, uma surpresa, Kike falou sobre sua saudade de uma lojinha de produtos de limpeza que ia quando era bem criança para fazer compras.

Toquinho de gente, sua cabecinha ficava na altura das "garrafas coloridas", as garrafas onde eram colocadas detergentes e outros tipos de produtos de limpeza, que com suas cores encantavam aquele menininho. Coisa de criança, mas que ficou marcada.

O tempo passa, a saudade não.

OBS: Depois que publiquei esse texto, foi a vez de meu filho mais velho ter saudade da infância. Em viagem a Ubatuba no feriado ligou dizendo que estava tendo boas lembranças das viagens que fazíamos à praia do litoral norte paulista. Mal se lembra ele quantas vezes deixamos de ir nessa mesma praia na sua fase "hardcore". Odeio areia...bem que podiam asfaltar tudo, dizia...É o tempo passa mesmo, já a saudade...



domingo, 25 de outubro de 2009

Celebrando o amor.


Sábado passado, atendi o mais honroso convite que recebi em minha vida. Meus amigos Luiz Marcos e Cristiane, por ocasião de seu “Open house” resolveram a seu modo se casar. Eles dizem que não, mas foi sim um casamento. Para a ocasião fui convidado a fazer uso da palavra em nome dos presentes e foi essa minha mensagem:

“O que é o amor?


Sentimento complexo, para cada um ele tem um sentido próprio, uma palavra que o ilustra.


Existem vários tipos de amor. Do menino pela Bola, pela bicicleta (ou nos dias de hoje pelo video game e Ipod), do poeta por seus versos, do homem pela mulher e por que não de um homem por outro ou de uma mulher por outra...desde que seja amor.


Existe para mim um outro tipo de amor, o de uma alma por outra, esse amor eu chamo de amizade. É esse meu amor pela Cris e pelo Lú.


Para que você possa de fato considerar alguém amigo o primeiro passo é, (passada a paixão, afinal a gente se apaixona também pelos amigos), descobrir qual é o seu ou seus defeitos, só assim superando essa fase de ver e entender qual o defeito de alguém é que essa amizade pode se consolidar.


É só quando você de fato percebe que aquela pessoa vale a pena, que veio para sua vida para ficar, amigos de verdade são para sempre.


O Lú antes de mais nada foi uma conveniência para mim. De tanto que falo não raro me pegava falando sozinho, dando carona eu tinha alguém com quem conversar e ainda não passava por maluco. Foi nessa fase que tive meu primeiro contato com a rabugice do LÚ, esse cara de manhã parecia um pitbull. Não demorou para o pessoal da empresa nos chamar de Raposo e Tavares. Ele tem mesmo uma cara de Raposo e eu acho q tenho uma cara de Tavares.


Nossos defeitos e virtudes estão bem próximos. Se o Lú é meio rabugento é porque antes de tudo ele é uma pessoa justa, correta e crítica que não se deixa levar pelo que é conveniente, mesmo que para isso haja um preço a pagar, afinal sua essência não tem preço.Sua maior virtude é para mim a maior das virtudes: saber se desculpar. Isso não é para qualquer um é para poucos e o Lú é um desses.


Aprendi muito com o Lú em suas gotas de sabedoria. "O que mata véio é frio e tombo", "lobisomem sabe para quem aparece" e a melhor de todas: "pardal procura pardal". Foi assim, desse jeito que a pardal albina pintou na área.


A Cris ainda era uma mocinha quando a conheci. O adjetivo diz apenas respeito a pouca idade naquela ocasião, afinal de contas não estamos diante de um docinho de coco, aliás bem ao contrário. Não precisei de muito tempo de convívio com ela para logo lhe apelidar de Jumá Marruá, a mulher onça.


Pisa do calo dela que ela vira bicho, mas sabe porque, espere do mundo que seja uma atitude incoerente, mas nunca da Cris, se você quer ilustrar o sentido dessa palavra pense nessa moça que sempre soube o que quis, que estabelece sempre uma linha reta entre onde ela está e o que ela quer.


E foi assim sendo como são que os pardais se encontraram...


Sendo assim como são, com seus defeitos, mas principalmente com suas virtudes que eles entraram em minha vida para ficar, foi assim que eles me colocaram aqui diante de vocês...


Eu estava trabalhando quando alguém me chamou no messenger: era a Cris.


- Má, precisamos falar com você...pessoalmente.


Será que vão me pedir dinheiro emprestado? Se não forem...peço eu, pensei, afinal estava meio caidão mesmo...


Chegou o dia enfim de nos encontrarmos, brincadeira deixada de lado, o que eu pensava era que se tratava da formalização de um convite para sermos padrinhos.


Meio assim, meio assado, lá veio o convite que me fez cair o queixo, segundo a Cris não haveria uma cerimônia religiosa, afinal não era um ‘casamento’ era só o open house, mas eles queriam que eu (isso mesmo eu) falasse algumas palavras. Que responsabilidade, que privilégio.


Meu primeiro impulso foi pensar: mais uma chance para me exibir. Quem sabe não seria o nascimento de uma nova igreja? Milhões...pensei.


Passados os primeiros e tentadores segundos me dei conta, agora falando sério, do privilégio e responsabilidade que me haviam sido dados. Eu que pelo anos venho testemunhando de perto, bem de perto, essa relação agora tinha essa incumbência.


As palavras da Cris e do Lú soavam em minha mente...religião...casamento...


Uma vez li um artigo que falava sobre religiosidade em algum lugar naquelas linhas abordava-se a divergência que havia quanto ao sentido da palavra religião. Uma versão dizia algo como religar, unir o homem a Deus, a outra falava em relegere que significava o contrário de negligência, religião então seria zelo,respeito. Na ocasião pensei: porque não poderia então ser as duas coisas?


Já que me foi dada essa tarefa fui fazer a lição de casa.


Fui pesquisar então o que quer dizer casamento.


Casamento advinhem só? Vem de casa, construir uma casa, assim como matrimônio vem de mater (mãe) e patrimônio, o que dá a idéia de lar.


Desconfio que estamos sim numa cerimônia religiosa, não no sentido de estar ligada a essa ou aquela crença religiosa, mas sim de estarmos testemunhando um ato de zelo e respeito mútuo entre a Cris e o Lu, desconfio também que estamos num casamento, que tem sua trajetória e forma própria, mas que amadureceu no sentido não somente da construção de uma “casa” no sentido físico, mas mais que isso um “lar” o que a gente testemunha aqui é o extâse de uma relação, sua plenitude...que seja duradoura mas tanto quanto isso que seja intensa.


Acredito que todos aqui compartilhem da alegria de termos sido eleitos para vivenciar esse momento, assim como participar dessas vidas, assim nossos votos não devem se restringir a desejar um futuro ainda mais brilhante e feliz, mas antes disso a agradecer a Cris e ao Lu a benção de termos suas amizades.


Esse agradecimento porém não deve se restringir aos “noivos” mas também aos seus pais, afinal há quem diga que a fruta não cai longe do pé, se por um lado cada um de nós é único em sua essência, não há como negar de onde viemos, quando vemos com mais profundidade o que nós somos.


Ao Lú e a Cris não vou desejar que sejam felizes, mas sim que sejam ainda mais felizes.”


Esse foi um momento e tanto, um dia que levarei sempre comigo no meu coração, o dia em que celebrei o amor.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Orgulho.


Era dezembro de 1989.

Fim do mês, dia 28. Um dia que iria mudar nossas vidas.

Nascia Caroline, nossa Carol. Para a mãe Rosana e o pai Ronaldo, era primeira filha, para os avós Armando e Neusa a primeira neta, para mim a primeira sobrinha.

A primeira sobrinha, ah, mas com gosto de filha. Amei essa menina, hoje uma moça (que o tio ciumento insiste em não admitir que já é uma mulher) desde o primeiro momento em que a vi. Lindinha desde sempre...

Na medida do possível, dentro dos limites, sabendo bem qual meu lugar (de um tio que ama como pai) procurei estar sempre ao seu lado mesmo quando isso quis dizer dar um "puxãozinho de orelha" para colocar as coisas no rumo.

Zeloso que sou com esse nosso tesouro, sempre fiz meu papel e aos candidatos a namorado busquei ser...como podemos dizer...uma ameaça concreta as suas vidas. Ali no pé da orelha sempre avisei:

- Se a magoar...vou te punir.

Orgulho para mim e para toda família, Carol é uma menina especial. Não é corujice de tio não e quem a conchece sabe bem disso.

Com sede de saber, agarra as oportunidades que surjem sempre se transformando em alguém ainda melhor. Carol tem meu amor incondicional (apesar de corinthiana).

Decidida, escolheu as Relações Internacionais como curso universitário do qual hoje é aluna do primeiro ano na PUC.

Eis que na última edição da revista Carta Capital, na seção de opinião do leitor, temos lá publicada uma carta muito especial sobre a atuação do Brasil na crise hondurenha. Autora? Ela mesma: aquele bebezinho lindo que ainda ontem estava em meus braços, a Carol.

Amo você que tanto me enche de orgulho.