domingo, 20 de março de 2011

Teşekkür ederim Türkiye

Mustafa Kemal "Ataturk":
o Pai dos Turcos.
(Obrigado Turquia)

Enquanto o Brasil se curvava súdito de Momo, resolvi partir. Dessa vez meu destino foi a Turquia.

Após algumas horas de caos no aeroporto (como faremos uma Copa?) finalmente decolei.

Foram quase 12 horas de vôo direto para chegar em Istambul. Era a primeira vez que visitava um país asiático e de predominância islâmica. Dois coelhos numa só cajadada.

Minha primeira impressão foi a melhor possível, afinal Istambul tem um aeroporto de dar inveja, pelo menos o dobro do tamanho do Aeroporto de Guarulhos e seguramente muitas vezes melhor.

Ponte do Bósforo: unindo Europa e Ásia
O Estreito de Bósforo divide Istambul entre a parte européia e asiática. Se os pontos turísticos de Istambul estão na sua maioria na parte asiática, sugiro aos que pretendem visitar a Turquia ficarem, como eu, hospedados na parte européia (mais nova) que concentra a vida noturna

Istambul, diferente do que muitos pensam não é a capital turca (Ancara é a capital) e está para aquele país como São Paulo está para o Brasil.

Não bastasse toda riqueza histórica de Istambul, a cidade também possui também opções de bons restaurantes e compras para todos os bolsos. Desde Nisantasi, os Jardins de Istambul, até o Grand Bazar a 25 de março deles, vale gastar um tempo com compras em Istambul. Jantar no Reina garantirá um bom momento para se recordar, boa comida, boa frequência e um excelente ambiente.

Mercado Egipício: aromas, cores e sabores.
São inúmeros os pontos turísticos de Istambul, Grand Bazar, Mercado Egípcio, Santa Sofia, Mesquita Azul, Galata Tower, Cisternas Romanas, Bósforo etc.

A Turquia é um país de grande beleza natural e de história riquíssima. A Anatólia região da Ásia onde está a Turquia já viveu sob o domínio de várias civilizações a ressaltar gregos, romanos e otomanos.

Organizada como república a Turquia data de 1923, após três anos de guerra de independência.. Mustafa Kemal "Ataturk" liderou os turcos em seu processo de independência contra gregos, ingleses, italianos e franceses que ocupavam o país como resultado do desfecho da primeira guerra mundial.

Ataturk, o pai dos turcos, é definitivamente a mais respeitada e cultuada figura da Turquia. Sua imagem é onipresente, está desde bandeiras vendidas nas praças até as paredes das lojas e claro nas notas de Liras Turcas. Não é para menos, além de liderar seu povo na luta pela independência, Ataturk fundou uma república laica num país de maciça predominância islâmica algo único ainda nos dias de hoje.

Turquia: localização estratégica
A Turquia seria um excelente exemplo para o mundo islâmico ao separar estado de religião, porém ao invés disso torna-se cada vez mais uma isolada exceção. Apesar de toda atenção do Estado para a questão, já há quem aponte um desconfortável e perigoso crescimento do fundamentalismo islâmico em pequenas cidades do interior do país, assim como nos subúrbios de grande cidades como Istambul.

Numa lógica muito parecida com a do tráfico de drogas aqui no Brasil, o fundamentalismo islâmico florece onde falta uma presença mais marcante do Estado.

Questões como o movimento separatista curdo, o fundamentalismo crescente e a importância estratégica da Turquia como passagem entre os continentes europeu e asiático, fazem com que se aumentem as apostas de que no futuro (talvez próximo) o país passe por algum tipo de tensão. Torço para que não, mas confesso ter algum ceticismo...

Voltando à viagem...

Ruínas de Éfeso,
ao fundo biblioteca.
Viajar pela Turquia é viajar pelo tempo. Para aqueles que gostam de aprender história "in loco" visitar as ruínas de Éfeso se torna um programa imprescindível. As ruínas falam muito de sua época e apresentam um raro estado de conservação.

Seja como peregrino, seja apenas como turista, próximo à Éfeso pode-se visitar o que creêm ter sido uma casa habitada por Maria em sua passagem pela Anatólia após a crucificação de Jesus Cristo.

Depois de Éfeso parti rumo a Capadócia onde me deparei com um cenário de rara beleza natural, ainda mais quando contemplada num vôo de balão. Por €170,00 pode-se comprar esse sonho que pode durar até uma hora. Uma simples caminhada pela calçada oferece mais risco que esse vôo que é extremamente seguro. Para aqueles que possam ter medo sugiro que se superem e façam o passeio, fiquem certos que valerá a pena e terá sido uma das maiores emoções de suas vidas. Comigo foi assim.


Depois de sobrevoar a Capadócia com suas formações rochosas tão peculiares era hora de voltar para Istambul o que fiz a partir de Ancara a capital.

Malzoléu de Ataturk
De minha breve e proveitosa passagem por Ancara ressalto a visita ao malzoleu de Ataturk, uma espécie de Lincoln Memorial versão turca, assim como a visita ao museu das civilizações que permite uma boa visualização da "timeline" da Anatólia e das civilizações que a dominaram.

Como em toda boa viagem acabou ficando um gostinho de quero mais. Visitar as ruínas de Tróia e outras localidades no verão devem valer mais uma visita à Turquia, quem sabe um dia?

Güle güle (Tchau)

Notas:


Tina:
A melhor guia do mundo
a) Agradecimento a guia Tina da Meridien Tours que fez de minha viagem uma experiência ainda mais agradável e enriquecedora;

b) Se pode com facilidade usar Euros na Turquia numa conversão rápida de 1 para 2;

c) É fácil pensar em liras turcas, os preços são praticamentes equivalentes em real;

d) A água de torneira não é potável, só beba água mineral;

e) O turco, via de regra, é simpático aos turistas, especialmente com brasileiros, assim aprender uma ou duas palavras chaves como obrigado e bom dia pode aguçar ainda mais essa simpatia já natural aos turcos;

f) É impossível, pela riqueza histórica do país, conhecer a Turquia por conta própria, assim prepare-se para uma viagem num ritmo alucinante, sem descanso e com hora pra tudo, mas que ainda assim vale muito a pena;

g) A Turkish Airlines tem uma tripulação excelente, todos muito simpáticos e atenciosos, bem diferente da maioria das companhias aéreas, especialmente as americanas. Chegar bem cedo para o "check in" pode render um bom upgrade a preço de banana;

h) Encontrei a melhor turma possível nessa viagem. Muito obrigado a todos vocês, especialmente ao Fernando Gosling e sua linda família, ao Fabio Gomes e a Clarrise, aqui de Sampa, ao Pereira, Mariana, Edu e Manoela, povo de São Luiz do Maranhão, gente séria, trabalhadora, diferente de uns outros famosos daquele pedaço do Brasil.


domingo, 20 de fevereiro de 2011

Mimi (sobre o que é o amor...)

Desde que nascemos vamos montando o mosaico de nossas convicções.

O certo e o errado, o bom e o mau, aquilo que é gostoso e o quiabo, vamos colocando as coisas nos seus devidos lugares.

Assim firmamos nossas certezas sobre esse ou aquele tema. Quão mais longa é nossa jornada, mais esses valores se cristalizam em nosso íntimo, muitos deles tornando-se parte fundamental do que somos.

Raul disse um dia que preferia ser uma metamorfose ambulante do que ter uma velha opinião formada sobre tudo. Sábias palavras (dentre tantas outras).

Cresci (como a grande maioria dos meninos) tendo entre meus grandes amigos alguns cães.

Teddy foi um deles. Lindo, negro, um genuíno vira-lata. De porte médio, mas com tamanha altivez que nem desconfiava de sua origem assim não tão nobre. Lembro orgulhoso do dia em que ele colocou Marfim, o bacana do pedaço, pra correr.

Os anos se passaram e cresci amando os cães e, digamos assim, sem o mesmo apreço (nenhum na verdade) pelos gatos.

Afinal de contas "o cão é o melhor amigo do homem", enquanto os gatos "não pertencem a ninguém, são seus próprios donos, só fazem o que querem".

Meu filho mais novo, o Kike, é o diferente daqui de casa. Enquanto a humanidade vive sob o domínio da Microsoft, ele é um applemaníaco (talvez o maior deles). Enquanto todos buscamos algo para crer ele se sai com uma dessas, justificando seu ateísmo:

- Quanto mais sabemos pai... menos acreditamos.

Kike um dia resolveu: queria um gato. Um gato?

A casa entrou em guerra. Eu não gostei da idéia, enquanto o irmão detestou imaginar um bichano pela casa.

Kike come o mingau pelas beiradas, nunca queima a boca e sempre consegue o que quer.

Com o gato não foi diferente e quando me dei conta lá estava o Mimi andando pela casa.

Bom, deixando a originalidade do nome de lado, Mimi estava entre nós.

De início já fui impondo limites "inegociáveis". No meu quarto nem pensar, se viesse se esfregar em mim bateria um penalti tendo sua cabeça como bola etc.
O "predador" em ação

Mimi foi chegando como quem não quer nada, assim como seu irmão Kike, e tomando conta do pedaço, conquistando-nos um a um, até mesmo seu irmão mais velho que insisti em chamá-lo apenas de "gato" numa tentativa frustada de manter a imagem de durão.

Lembro do dia em que, pela primeira vez, ele veio me receber quando eu chegava do trabalho, igualzinho como meus filhos faziam quando crianças.

Pela porta entreaberta pude ver ele olhando e vindo em minha direção. Ligou seu motorzinho e não sossegou até ter minha atenção e carinho.

Realmente o convívio com o Mimi me mostrou que ele não tem dono, que carinho ele faz e recebe quando quer. Mimi tem vontade própria e se não fala nossa língua, fala com o olhar como poucas pessoas são capazes e acredite é capaz de sentir meu estado de espírito como ninguém. Se estou pra baixo, não me falta um carinho seu.

Preguiça de dar inveja
Além do afeto que despertou em mim, Mimi também me mostrou que existe alguém mais preguiçoso que eu e o Dorival Caymmi.


Por crer que nada na vida é obra do acaso, acredito que a missão de Mimi em minha  vida é mostrar que nunca devemos ser assim tão reféns de "velhas opiniões formadas sobre tudo" , principalmente, "sobre o que é o amor".

sábado, 13 de novembro de 2010

Tiririca Free!

Se a candidatura de Tiririca deu o que falar sua eleição então...

Durante o processo eleitoral levantou-se a possibilidade que Tiririca não fosse alfabetizado, não sendo assim elegível.

O registro da candidatura exige apenas uma declaração de próprio punho como forma de comprovar a alfabetização do candidato. Com as atenções voltadas para Tiririca surgiu então essa dúvida, mas e os demais eleitos todos são de fato alfabetizados?

Durante essa semana submeteram Tiririca a um inédito teste de alfabetização, do qual não se sabe bem ainda o resultado até por que “alfabetizado” é um termo que pode ganhar uma razoável dose de subjetividade, afinal entre ler e interpretar um texto existe um fosso colossal a ser transposto.

Tiririca Free!
Além da questão sobre ser ou não alfabetizado, recai sobre Tiririca a acusação de que teria cometido crime ao supostamente forjar uma declaração de próprio punho.

Esse episódio nos traz uma série de constatações e possíveis reflexões.

Quanto à autoridade eleitoral fica a dúvida: qual o motivo (já que é necessária alfabetização) dos candidatos não serem previamente submetidos a um teste padrão constatando previamente se são ou não aptos a se elegerem?

É verdade que o ENEM tem nos demonstrado que realizar exames em grande escala parece não ser nosso forte, mas ainda assim me parece ser o meio mais razoável e justo para essa questão.

Do Ministério Público, uma vez que contesta a veracidade da declaração de Tiririca, se espera um tratamento equitativo fazendo um levantamento generalizado de todos os candidatos eleitos ou não. Será que somente Tiririca burlou a declaração, se é que o fez?

Ora será que o mesmo Ministério Público é tão rigoroso com as “taxas de sucesso”, com os “recursos não contabilizados” ou mesmo com as recentes “inconsistências contábeis”?

A grande reflexão, porém não diz respeito aos procedimentos da autoridade eleitoral ou sobre a conduta do Ministério Público e sim para qual de fato é a vocação democrática de nossa sociedade.

Pau que bate em Chico tem que bater em Francisco, ou se aplica a lei a todos os candidatos, ou que se dê voz às urnas...

Ora, vexatória ou não, a eleição de Tiririca, antes de legal é legítima, é reflexo de nossa sociedade, de nossa desesperança, de nossa cidadania e educação (ou falta delas).

Impedir a posse de Tiririca é calar seus 1.350.820 eleitores, “abestados” ou não, eles merecem serem ouvidos.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Um país dividido.

Dilma Rouseff foi eleita a primeira presidente mulher do Brasil. Há quem veja nisso algo de histórico ou avanço de alguma ordem, não é meu caso.

Para mim pouco importa o gênero ou mesmo a orientação sexual de um governante, o que conta (ou ao menos deveria contar) é sua capacidade de gestão, orientação ideológica e biografia (ou ficha corrida dependendo do político).

Não votei em DiLLma, mas antes de tudo sou brasileiro e desejo a ela toda sorte do mundo. Vai precisar...

DiLLma herda um país que sai dividido das eleições. Dividido regional, intelectual e ideologicamente. Enquanto DiLLma venceu nas regiões Norte e Nordeste, Serra obteve melhores resultados no Centro-Oeste, Sul e Sudeste, a mesma relação se dá também entre os que tem um menor e maior nível de escolaridade respectivamente.


Semelhança ou coincidência? Clique e veja.


Com ânimos menos aflorados a presidente terá de fazer o país voltar a normalidade da disputa republicana. Não será uma tarefa simples.

Se no congresso DiLLma parece ter folgada base parlamentar, o eleitorado na esfera estadual está bem dividido pendendo para a oposição.

DiLLma foi eleita é verdade, mas para isso contou com um cabo eleitoral com mais de 80% de popularidade além da máquina governamental, assim seus 56% não chegam a ser grande mérito e não devem lhe render uma lua de mel muito longa. Vale lembrar que nas vezes que LuLLa foi eleito obteve mais de 60% dos votos.

O novo governo deverá manobrar com habilidade sua maioria. Um rolo compressor agora com a oposição aparentemente "machucada, arisca e ressuscitada" pode ser um tiro no pé.


Rolo compressor governista?
Durante os oito anos do governo LuLLa pouco se avançou em termos de reformas estruturais e as reformas fiscal, previdenciária e partidária não saíram do papel.

Tomara que eu esteja enganado, mas não vejo mudanças no horizonte. Reformas implicam em enfrentar privilégios o que definitivamente não tem sido o forte do PT no governo, pelo contrário...

Há quem pense que essa nova etapa do PT no poder deva ser mais noticiada nas manchetes políticas do que policiais. Será? Se com a mão de ferro de LuLLa (muito maior que o PT) não foi assim e brotaram aloprados, com DiLLma será diferente mesmo? Não creio e torço sinceramente para estar errado. Tomara...

Institucionalmente o avanço que essa eleição traz para o Brasil é que por um lado teremos um governante que com menos carisma irá ter que trabalhar mais e de outro lado o aparente ressurgimento da oposição no país. Já não era sem tempo...

domingo, 24 de outubro de 2010

Presidente, cabo eleitoral ou jagunço?

Nunca votei em Lula e mais do que nunca não me arrependo.

É indiscutível a beleza da trajetória de Lula, que saiu do sertão nordestino atingindo o mais alto posto da nação. Da mesma forma, não cabe questionamento sobre seu papel na luta contra a ditadura e sua fundamental importância no sindicalismo brasileiro.

Confesso que me emocionei quando Lula recebeu seu “diploma” de presidente. Sua comoção foi contagiante.

O carisma de Lula é de rara grandeza, porém a mim nunca pareceu ser maior que a virulência sectária de seu discurso.

No papel de líder sindical esse sectarismo, se não pode ser considerado ideal, é relativamente esperado, já no papel de chefe da nação é inadmissível.

Um presidente é eleito pela maioria, mas deve governar para todos.

Se a nação coloca suas feridas à mostra num processo eleitoral, eleito, cabe ao presidente reagrupar o país. Numa democracia pode haver maioria e minoria, mas nunca vencedores e vencidos, isso só cabe numa guerra.

Nunca votei em Lula, o original, não seria agora que votaria num inexpressivo genérico seu.

Respeito, defendo, lutaria se fosse preciso, pelo direito daqueles que mim discordam. Opiniões divergentes são imprescindíveis à democracia.

Chegamos ao ápice do processo eleitoral. Lula que até então havia de forma vexatória ignorado a lei, agora abandonou definitivamente a liturgia de seu cargo (nunca prezou mesmo), colocando-se, em suas próprias palavras, como cabo eleitoral.

Pura pretensão, Lula não chega a tanto. O presidente não chega a cabo eleitoral, está muito mais para um jagunço, chefe de bando.

Dias atrás José Serra foi impedido por militantes do PT de prosseguir numa caminhada pelas ruas do Rio de Janeiro. Ânimos exaltados, empurra-empurra, culminaram com o arremesso de uma bobina de fita adesiva que atingiu a cabeça do candidato tucano.

Imaginei que o exercício de dois mandatos presidenciais tivessem minimamente lapidado algum senso diplomático e cívico em Lula. Ledo engano...

Deixando de lado o que se espera do chefe supremo de uma nação, apenas apostando no elementar, era de se esperar que o presidente se colocasse incondicionalmente crítico ao ocorrido, se não por convicção, ao menos por conveniência.

Um presidente com um senso mínimo de compostura com o cargo que exerce, poderia ter se saído com uma nota assim:

- “Lamento o ocorrido com o candidato José Serra. Vivemos um processo eleitoral, paixões se afloram, convicções políticas são debatidas, ainda assim não podemos admitir nenhum tipo de violência nesse processo, nem mesmo verbal, o que se dizer então de alguma ação de ordem física.

- O militante que atirou a bobina de fita adesiva, assim como o que atirou a bolinha de papel no candidato José Serra cometeram um erro grave e recebem minha mais veemente censura.

- Que esses gestos não sejam atribuídos a toda nossa militância, pois não é essa nossa vocação. Respeito o candidato José Serra, seu partido e principalmente seu eleitores, que antes de tudo são cidadãos do país que honrosamente presido”.

Ao contrário disso o que fez Lula?

Não bastasse não censurar a atitude violenta da militância presente naquele encontro pelas ruas do Rio, Lula ainda acusou José Serra de fraude. (veja a acusação de Lula.  http://bit.ly/bKvLjZ )

Entre admitir que um militante mais exaltado cometeu uma falta, ou acusar o candidato adversário, Lula não hesitou e acusou Serra. Isso mesmo, uma absurda inversão de valores, insano... (veja matéria no Jornal Nacional desmentindo Lula  http://bit.ly/9Vj3L8 )

Ao invés de atuar como chefe da nação, como uma reserva de autoridade moral, no papel de unificador, de fomentador de consenso, Lula jogou gasolina na fogueira.

Ao não admitir o erro cometido pelos militantes, colocando a culpa pelo imbróglio na conta do candidato adversário, Lula dá um aval velado ao constrangimento pelo qual passou Serra.

É possível, cabível até, que se critique José Serra por tentar tirar proveito eleitoral dessa passagem, mas isso não muda em absolutamente nada a gravidade do ocorrido e a equivocada posição da Presidência da República.

A democracia é um bem precioso, nos custou vidas, assim não podemos admitir que ninguém atente contra ela, nem mesmo com uma simples bolinha de papel.






sábado, 9 de outubro de 2010

Agnelli x Gabrielli (ou quanto pode custar ao trabalhador um governo de "trabalhadores")

Profissional do mercado de capitais brasileiro desde 1986 venho testemunhando a história de nosso país.

Como profissional vivenciei todos os planos econômicos, as crises pós-globalização, as privatizações, a crise cambial brasileira, apagão, atentado ao World Trade Center e a alternância do poder na jovem democracia brasileira. Tudo isso recheado por seis eleições presidenciais.

Dentre esses eventos as privatizações representaram um marco em especial para nosso mercado de capitais, assunto esse sempre presente em época de eleição.

Foi através do mercado de capitais que o governo brasileiro encontrou compradores para as empresas submetidas ao processo de privatização.

Lembro bem das manifestações “operárias” contrárias as privatizações, como da mesma forma das manobras de bastidores daqueles que temiam pela extinção de privilégios.

Após uma guerra de liminares, ufa, o Brasil se rendia ao óbvio: o real e devido papel do Estado na economia.

Vale do Rio Doce é um bom exemplo de como uma empresa pode ser bem mais útil à nação nas mãos da iniciativa privada ao invés de gerida pelo governo. Nesse caso cabe bem a máxima “o boi só engorda com o olho do dono”.

Não tenho aqui a pretensão de me estender em números, mas sim chamar a atenção para a ordem de grandeza dos eventos e a lição que eles no dão.

Vale do Rio Doce foi privatizada em 06.05.1997 recebendo o Tesouro Brasileiro pela venda de sua participação na empresa US$ 3,3 bi, valor insignificante se comparado aos resultados atuais da empresa.

Ainda hoje, existem inúmeros questionamentos sobre esse processo, todos redundando no, suposto, baixo valor apurado com a privatização.

Vale lembrar que o processo de privatização se deu através de edital de leilão público em bolsa de valores e ainda assim foram necessários recursos financiados pelo BNDES para viabilizar o processo.

É importante ressaltar que a participação do Tesouro Brasileiro na Vale do Rio Doce foi vendida para o melhor comprador credenciado a participar do leilão, ou seja, a alienação se deu pelo melhor preço possível naquele momento.

Minha opinião: se o governo brasileiro tivesse doado a Vale do Rio Doce para qualquer um que demonstrasse capacidade de gerir a empresa já teria sido excelente negócio.

Para quem não concorda sugiro que pesquise o quão mais a Vale do Rio Doce hoje emprega e arrecada impostos. A diferença dos números é astronômica.

Diferente de quando sob controle estatal, hoje são critérios de eficiência e meritocracia que orientam as ações da empresa, diferente de quando nas mãos do governo a empresa era um grande cabide de empregos além de foco de corrupção.

Obviamente vários fatores influenciam a valorização de mercado de uma empresa, mas mesmo que se levando isso em consideração a evolução comparativa entre Vale do Rio Doce e Petrobrás nos leva a inequívoca conclusão de que um governo de trabalhadores pode custar muito caro a um trabalhador que tenha resolvido poupar seu FGTS comprando ações de Petrobrás.

É possível que se argumente que Vale se beneficiou da elevação dos preços dos minérios enquanto Petrobrás foi penalizada pela queda nas cotações do petróleo, ainda assim a diferença dos números é gritante.


Agnelli x Gabrielli, eficiência e partidarização
Se por um lado a Vale é presidida por Roger Agnelli com foco na defesa do interesses dos acionistas da companhia, a Petrobrás em contrapartida é comandada pelo companheiro José Sérgio Gabrielli em profundo alinhamento com os interesses do governo em detrimento dos interesses dos demais acionistas.

Se Agnelli foi conduzido ao comando de Vale por sua trajetória de sucesso como executivo, Gabrielli, de origem acadêmica, hoje comanda a Petrobrás tendo como principal e inexorável qualificação sua filiação partidária.

As incertezas durante o recente processo de capitalização de Petrobrás, a pulverização da participação do minoritário no capital da empresa, associados ao temor de ingerência política na condução da companhia, tornou ainda mais evidente a disparidade da valorização das companhias.

O mercado está errado? Ok, o mercado erra, mas é soberano.

Se ao longo do tempo Vale vem se valorizando significativamente mais em relação à Petrobrás, em 2010 essa realidade não foi diferente.

Em agosto desse ano, portanto antes da capitalização de Petrobrás, Vale chegou a ter valor de mercado superior ao de Petrobrás até então detentora do título de maior empresa latino-americana.


Pelo fechamento do mercado em 08.10.2010, Petrobrás está com perda acumulada de 27,57% no ano, isso mesmo, quase um terço do valor da empresa, enquanto no mesmo período Vale do Rio Doce valoriza-se 13,01%, ante uma valorização do Ibovespa de 3,24%.

Números...quem pode com eles?
Comparativamente ao desempenho de Vale do Rio Doce, apenas nesse ano a gestão dos “trabalhadores” custou ao trabalhador brasileiro 56%.

Ainda assim, diante de fatos tão claros, há quem defenda uma maior participação do Estado na economia, há quem seja contra as privatizações. Se você for da turma “delles” tudo bem, caso contrário para ter seu Land Rover é melhor deixar seu dinheiro na mão de profissionais.

Obs: A Petrobrás é uma grande empresa, patrimônio do país, detentora de tecnologia de ponta e dispõe de um corpo técnico de qualidade incontestável, continua sendo uma excelente opção de investimento. A empresa é tão fantástica que vem heroicamente resistindo a todas as ingerências políticas das quais tem sido vítima.
















sábado, 2 de outubro de 2010

Obrigado Danilo!

Mas o que diabos enfim é humor? Deve ter limites ou não?

Existem vários tipos de humor, inteligente, pastelão e outros?

Não sou humorista (apesar de por vezes arrancar umas boas risadas em encontros com amigos), mas acredito que só exista um tipo de humor: o engraçado, aquele que te faz rir.

Censura Nunca Mais!

Nesse período de eleição por algum tempo tivemos um jejum de humor.

Algum dia, em algum lugar, alguém parece ter entendido que não seria “permitido ridicularizar os políticos”.

Aqui ó!

Imperou o bom senso (que por vezes não é nada humorado) e uma vez que viramos a página da censura na história de nosso país, voltamos a rir de nossa maior desgraça: a política.

“Nunca antes na história desse país” tivemos uma política tão pobre e podre. Sem ideologias, sem bandidos e mocinhos, apenas um raso vale-tudo pelo poder.

De um governo onde seus principais personagens jogaram suas biografias latrina abaixo, até uma oposição omissa e incompetente, vivemos uma pobreza política sem precedentes, mesmo para uma história já tão pobre quanto é a nossa.
Humor implacável

Ontem (01.01.2010), porém, por uma hora e meia me vinguei, lavei minha alma...

Politicamente Incorreto, foi o nome do “Show” (com “S” maiúsculo) de Danilo Gentilli transmitido pelo UOL. (http://migre.me/1sCj1)

Danilo tirou o atraso dos dias de censura dessa eleição.

Devastador, Gentilli não deixou pedra sobre pedra na política brasileira. Democrático, ninguém foi poupado de seu humor impiedoso.

De Sarney e os “excelentes” indicadores sociais do Maranhão, passando pelas alianças nada ideológicas do PT, pelos “hábitos” de Aécio, pela hipocondria de Serra, pela inconsistência de Dilma, todas as mazelas de nosso cenário político foram ridicularizadas com a maior acidez possível.


O poder custe o que custar.

Lula foi “esculachado” sem pudor algum.
Que delícia...
Se não agüento mais meu amargor pelo momento que vivemos, se me dói cada vez mais lembrar todo sacrifício para nos tornarmos um país democrático para então fazermos tão mau uso dessa conquista, se me corrói minha desesperança com o futuro de nosso país, ontem ao menos por algum tempo me senti mais aliviado.

Ri de raiva, de vergonha e tristeza, mas ri...

Obrigado Danilo.