sábado, 18 de janeiro de 2014

("Rolezinhos", ou, como dividir ainda mais um país)


Os "rolezinhos" tem tomado conta do noticiário, atento, venho buscando entender essas manifestações, tentando escapar dos extremos que vão do mais rasteiro preconceito ao discurso planfletário.


Ao que tudo indica, salvo engano meu, jovens das periferias tem se organizado via redes sociais para em grandes grupos passearem pelos shoppings. Jovens se reunirem para passear pelo shoppings não chega a ser novidade, aos milhares porém me parece um fenômeno novo, ou não?Toda aglomeração de pessoas, naturalmente acaba por acolher uma minoria que por vezes pode usar o grupo como camuflagem para ações de desordem, com depredações e saques. Foi assim nas manifestações no meio do ano passado. Uma maioria pacífica permeada por vândalos. Vale lembrar que o perfil do público presente nas manifestações era predominantemente jovens de classe média, ou seja, falo sobre a dinâmica de comportamento de grupo, sem viés social ou racial.

Eu não vou perder meia linha falando da total incapacidade de nossa Polícia Militar em lidar com situações de tensão. O despreparo é claro e indiscutível e seja qual for a situação, infelizmente, a polícia é mais um elemento de tensão do que agente pacificador.

Chama mais minha atenção porém como as personagens públicas do país vem lidando com a questão. 

Numa sucessão de posts através do twitter o Senador Aloysio Nunes tratou da questão com uma delicadeza e profundidade dignas de um hipopótamo em surto. Falou o que pensa como cidadão no seu inalienável direito de opinião, foi porém extremamente infeliz pela falta de sensibilidade política no bom e mau sentindo da expressão, afinal deveria elaborar mais sobre a questão e nem poderia ser tão sincero assim, afinal vivemos no país que para se ganhar eleição tem que ser na base do "paz e amor" como ensinou Duda Mendonça.

Como voz de oposição as palavras de Aloysio Nunes foram um fiasco total.

Do lado do governo a tragédia é ainda maior. Se Aloysio Nunes foi infeliz no papel de vovô revoltado com o netinho no shopping, o que dizer da Ministra da Igualdade Racial, Luiza Barros, colocando a questão no prisma brancos x negros?

Existe preconceito racial no país? Sim e muito, mas essa questão dos "rolezinhos" diz respeito ao fosso social brasileiro, mas nada tem de conotação racial. Será que só existem negros nas periferias?

A fala da ministra porém não é uma declaração apenas pessoal, longe disso é mais uma iniciativa no processo de divisão do país, é mais uma vez o tal do "nós" e "eles". É o mantra, "nós" os bons e os justos e "eles", todos os que ousam discordar, os maus sem consciência social, a "elite branca" na sua "lógica de Casa Grande e Senzala".

Se não existe sociedade no mundo que seja absolutamente unida, se qualquer sociedade tem sua divisão de classes, o que se fomenta deliberadamente no Brasil é uma radicalização desse processo e tudo isso a serviço de um projeto de poder.

Dos tantos sinais para os quais venho chamando atenção esse é mais um deles, talvez o mais preocupante.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Prá lá de Marrakech...

Em fevereiro, durante o carnaval, visitei o Marrocos numa viagem de 1.700 kms.

Chegamos em Casablanca, de onde fomos para Marrakech, Erg Chebbi (Saara) e finalmente Fes.

Dessa inesquecível experiência, surgiu essa matéria publicada pelo Jornal Mais Conteúdo.

http://www.maisconteudo.com.br/Resources/ed56.pdf

terça-feira, 12 de março de 2013

O pior preconceito...



Cá com meus botões...


Um dos grandes riscos da vida é nos tornarmos o que abominamos. 

Não se pode combater a violência sendo violento, não se pode querer justiça sendo injusto.

É inegável que a nomeação do Deputado Marcos Feliciano para a Presidência da Comissão dos Direitos Humanos representa um grande retrocesso, uma vergonha mesmo.

Não dá para se esquecer porém que ele foi eleito primeiramente pelo voto direto, sendo depois eleito por seus pares que também foram eleitos diretamente. 

Não dá para se esquecer também que ele só foi eleito pela ausência do PT que abriu mão da Comissão. Todos somos por ação ou omissão responsáveis por essa ferida que tanto nos incomoda.

Agora o que não dá para esquecer e admitir é ver prosperar o preconceito como ferramenta de suposto combate ao preconceito.

Esses dias vi um post falando sobre a vergonha que era o crescimento da bancada evangélica. 

Quem determina
quem é ou não um mau eleitor?
Ora se essa manifestação religiosa vem crescendo em nossa sociedade, nada mais natural. É da essência da democracia que grupos queiram se fazer representar. 

Existem maus evangélicos, maus católicos, maus muçulmanos, o que determina uma pessoa ser boa ou má não é a religião que ostenta, mas de fato suas ações. Não se pode confundir o indivíduo com o grupo, não se pode confundir Marcos Feliciano com todos os evangélicos.

O pior preconceito é aquele que é travestido de boa intenção, desse é mais difícil se proteger.

A Queda

Amor incondicional
de um pai por seu filho

Diogo Mainardi é odiado por muitos e nunca o vi fazendo força em contrário.

Temos algumas coisas em comum, especialmente nosso "apreço" por Lula, e o quão pouco nos seduz o senso comum.

Até hoje o que mais admirava nele era a coragem (ou falta de censura) com que defende suas opiniões.

A partir de hoje não é mais assim. Temos mais em comum, muito mais.

Diogo Mainardi deixou de ser para mim apenas o colunista polêmico, aos meus olhos agora ele é antes de tudo um pai. Será assim que eu sempre o verei a partir de hoje, assim como eu, Diogo é antes de tudo um pai. Não existe outra qualificação que o descreva melhor. Eu não sou nada, absolutamente nada, antes de ser pai.

Hoje li seu livro "A Queda" sobre seu filho Tito, vítima de um erro médico em seu parto e que lhe causou uma paralisia cerebral.

Pelas 150 páginas do livro, ou a cada passo cambaleante de Tito, vai se construindo uma linda declaração de amor.

"Saber cair tem muito mais valor do que saber caminhar" nos ensina Tito em sua linda jornada pela vida.

Assim como Mainardi, também compreendi ao ver meus filhos pela primeira vez, no primeiro dia de suas vidas, que os amaria e os acudiria para sempre.

Parafraseando o autor: 

"De lá pra cá nada mudou. Eu o(s) amarei para sempre. Eu o(s) acudirei para sempre".

domingo, 10 de março de 2013

Mentes perigosas.

A ausência da consciência
 e percepção do outro.
Numa sociedade que privilegia cada vez mais o individualismo, é fértil o terreno para os psicopatas saírem da penumbra e deixarem seu inevitável rastro de destruição e morte.

Incapazes de se colocarem no lugar do outro, desprovidos daquilo que aprendemos a chamar de consciência, os psicopatas são reféns de si mesmos e de seus desejos, não conhecendo os limites impostos pela ética, moral ou qualquer vínculo afetivo.

Com linguagem direta e de simples entendimento esse livro é fácil de ser "comido" num único dia. Um manual de sobrevivência que pode ser muito útil e esclarecedor. Eles estão por aí e como alerta o título e você pode ter um por perto...

Além do livro, existe no Youtube uma excelente entrevista da autora Ana Beatriz Barbosa Silva no programa Roda Viva.

sábado, 9 de março de 2013

Vem que eu conto os dias, conto as horas pra te ver...


Vem...
Que eu conto os dias...
Conto as horas pra te ver...
Eu não consigo te esquecer...
Cada minuto é muito tempo sem você...sem você...

Não vou deixar de te amar
No Morumbi vamos ganhar
Vem TRICOLOR vamos vencer
Ô TRICOLOR EU AMO VOCÊ...

Vem TRICOLOR ser campeão
Fazer feliz meu coração
Vem TRICOLOR vamos vencer
Ô TRICOLOR EU AMO VOCÊ...

Se você gostou compartilhe. Espero que um dia ouvir o Morumbi cantando essa música para o Tricolor Mais Querido.


Agradecimento ao Passaporte FC, nas pessoas do Rafael e do Taian, responsáveis pelo Morumbi Tour, que nos permitiu colher essas imagens, assim como a cada um que participou desse video.

Valeu Galera!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Apenas uma questão de civilidade.

Existe em trâmite no Congresso o Projeto-Lei 122, conhecido como Lei Anti-homofobia que em linhas gerais visa dar aos homossexuais as garantias dadas as minorias. 

Contrário a idéia, o Senador Magno Malta, da bancada evangélica, argumenta que diferente de negros e deficientes que não escolheram serem como são, os homossexuais são como são (?) por opção.

Tenho muita dificuldade em entender como a forma de alguém amar e se sentir fisicamente atraído possa ser alvo de tanto repúdio e controvérsia, possa gerar tanto incômodo, especialmente numa sociedade que parece tão pouco se incomodar com os desequilíbrios sociais e toda violência oriunda dessa realidade. Realmente não entendo.

Outra grande limitação de entendimento de minha parte diz respeito a questão da "opção sexual". 

Eu não me lembro do dia em que escolhi ser heterossexual, não me lembro do dia em que escolhi ser como sou, em me sentir atraído por pessoas do sexo oposto. Lembro bem do dia em que conheci minha namorada Lelê,  lembro com clareza da atração que ela despertou em mim, lembro da admiração que daí floresceu, mas do dia em que "escolhi" ser heterossexual, desse dia eu realmente não me lembro. 

Ainda que ser homossexual fosse (ou seja) de fato uma escolha, uma "opção", ainda assim, se ser homossexual implica em ser uma minoria social devemos como sociedade pretensiosamente civilizada proteger esse grupo, exatamente como da mesma forma são protegidas outras minorias. 

Não se trata da defesa apaixonada de uma "causa", trata-se apenas e tão somente de uma questão de cidadania. São premissas fundamentais da democracia: prevalecer a vontade da maioria e respeito pela minoria. No futuro qualquer cidadão (inclusive você) em virtude de uma circunstância pode se encontrar numa condição de minoria e a história mostra como a maioria pode ser cruel, lembre-se que foi ela que crucificou Jesus Cristo. 

Para aqueles que usando a religião não aceitam os homossexuais sugiro ver esse video: http://www.youtube.com/watch?v=FPL0-gZsF3k

sábado, 10 de dezembro de 2011

Vida de cachorro.


Acredito que cada um de nós é único, assim sempre fujo de generalizações, mas não há como deixar de aceitar que determinados grupos sociais tem cartacterísticas comuns entre si.

Se é assim, o mesmo raciocínio também vale, em linhas gerais, para homens e mulheres.

As mulheres (excecção feita as “mulheres frutas e afins”, kkk) são seres mais complexos e bem elaborados, portadoras da divina missão da maternidade, enquanto nós homens somos fundamentalmente bípedes falantes. Ok, uns mais falantes como esse que vos escreve.

A “Guerra dos Sexos” existe desde que o mundo é mundo, existem até livros dedicados ao tema.

Fruto dos nossos tempos, agora a disputa “Marcianos x Venusianas” chega as redes sociais.

Minha “timeline” é repleta de imagens e frases em alusão ao tema. Confesso que vejo nos “posts” masculinos um viés mais humorístico, enquanto as mulheres demonstram mais desapontamento em relação ao sexo oposto.

Se é assim, aqui vai minha fórmula para que as mulheres tenham mais sucesso com seus pares: trate seu companheiro como um cachorro. Ele é.

Nossos amigos caninos nos oferecem fidelidade e carinho basicamente em troca de casa, água e comida. Com homens não é diferente.

Todo cachorro preza a segurança e conforto de sua casinha. Um espaço arrumado e aconchegante deixará seu “pet" alegre e feliz, fazendo com que esse crie uma relação especial com seu cantinho.

Sirva água limpa e comida fresca para seu cachorro. Cuidando do Rex, sendo atenciosa com ele, você ganhará sua confiança e fidelidade, afinal por quem mais ele poderia criar esse vínculo se não por quem o trata bem?

Somos assim, básicos e previsíveis como cachorros, um pouquinho de atenção damos a pata, rolamos, deixamos até nossas donas nos colocar na coleira.

Ah…um último aviso: deixe sempre o portão aberto, ninguém foge de onde não se sente preso. Mesmo que seu cão saia para dar uma volta com outros amigos de matilha, ele sempre vai saber o caminho de casa, sempre vai querer voltar.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Silêncio vergonhoso.

Depois de 42 anos de uma cruel ditadura eis que a “Primavera Árabe” derrubou definitivamente mais um regime, agora na Líbia.

Ainda martela minha cabeça a imagem de Muammar Kadhafi capturado e martirizado pelos rebeldes líbios. As imagens do ditador indefeso diante de seus algozes instantes antes de sua morte insistem em não abandonar meus pensamentos.

Longe de mim, escrever uma linha que seja em defesa Kadhafi, seguramente um dos piores seres humanos que já habitou o planeta. São inúmeros os relatos de casos de extrema crueldade sob sua responsabilidade direta e indireta. Assim como tantos outros ditadores na história, seu trágico fim era mais do que esperado.

Como cristão sou totalmente contra a pena de morte e sempre uso como argumento o fato de que o mais inocente dos homens foi condenado à morte, condenado a morrer na cruz.

Entendo que um estado soberano possa ter em suas leis a pena de morte. Se não aceito a pena capital como fato concreto, como fato legal ela é uma realidade de muitos países, alguns inclusive ditos desenvolvidos.

Nada jamais irá justificar o que os rebeldes fizeram com Kadhafi e ao assassiná-lo indefeso, igualaram-se em crueldade, principalmente por não lhe permitir julgamento justo.

Nesse episódio minha maior dúvida ainda é saber o que mais me choca: se a violência das imagens ou o atordoante silêncio público e midiático diante do linchamento covarde do ditador líbio.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Pelo direito à imbecilidade.

Sou telespectador assíduo do CQC, assim estava sintonizado quando Rafinha Bastos fez a grosseira e infeliz piada envolvendo Wanessa Camargo. Na hora pensei: vai dar merd... 

Dito e feito.

Rafinha Bastos não é portador de nenhum tipo de mandato executivo, não pertence ao poder legislativo ou judiciário, muito menos é um líder religioso, ou algo equivalente, trata-se apenas e tão somente de um humorista. 

Para alguns Rafinha é um bom, excelente humorista, para outros um tipo pretensioso e pedante, para outros tantos um péssimo humorista... 

A piada de péssimo gosto feita por Rafinha despertou reações, natural. 

Nada a se estranhar que Wanessa Camargo, seu marido, familiares e pessoas próximas tenham se sentido ofendidas, podendo até, se assim entenderem, buscar o caminho legal para repararem o dano que entendam terem sofrido. Que se faça justiça se for o caso.

O que pra mim não parece natural é a virulência das demais reações.

A Veja, numa pretensa matéria jornalística, desancou Rafinha, classificando-o como o rei da baixaria. Pretenso jornalismo, já que é premissa de quem busca a verdade ouvir opiniões contra e a favor, o que definitivamente não foi o caso. 

Nas redes sociais na mesma linha da matéria a repercussão foi extremamente crítica com um inacreditável viés moralista.

O Brasil realmente precisa de um grande e aprofundado estudo. 

Como podemos eleger um palhaço como deputado e levar tão a sério um humorista? Como podemos conviver passivamente com toda sorte de escândalos e nos ofendermos tanto assim com uma (infeliz) piada?

Repercutindo a "reação pública" a Bandeirantes resolveu suspender Rafinha. Medida ao meu ver exagerada, bastaria uma nota de esclarecimento na linha: a piada foi de responsabilidade de seu autor, ao qual somos críticos, respeitando porém seu direito a livre expressão. Simples assim.

A sensação que tenho é que como uma jovem democracia ainda temos uma certa tendência à censura, parece que precisamos sempre de uma instância superior qualquer delimitando limites, nos dizendo o que pode e o que não pode, é como se ainda não tivéssemos consolidado em nossos valores sociais o direito à livre expressão.

Dias atrás através de sua Ministra Irany Lopes o governo pedia censura à peça publicitária onde Gisele Bundchen ensinava a maneira "certa" (de lingerie, kkk) de comunicar ao marido gastos extras. Segundo o governo a propaganda atentava contra a imagem da mulher. Que tal me deixar avaliar isso por minha própria conta, ou será que preciso do governo fazendo isso por mim?

Não bastasse isso, a mesma Ministra dias atrás interpelou a Rede Globo tentando interferir no roteiro da novela para que o personagem que agride a esposa fosse exemplarmente punido. Ok. Se o Estado não é capaz de garantir direitos na realidade pelo menos na novela, é isso? É mole? Alguém imagina um representante de um governo de um país desenvolvido agindo assim?

Fui um dos tantos brasileiros que lutou contra a tortura e a censura, vibrei com a Anistia, com "a volta do irmão do Henfil", pedi por democracia nas Diretas-Já e não vai ser um piada idiota que vai me fazer jogar tudo isso no lixo.

Que Rafinha Bastos seja livre para exercitar seu humor mesmo que por vezes de forma imbecil.

domingo, 20 de março de 2011

Teşekkür ederim Türkiye

Mustafa Kemal "Ataturk":
o Pai dos Turcos.
(Obrigado Turquia)

Enquanto o Brasil se curvava súdito de Momo, resolvi partir. Dessa vez meu destino foi a Turquia.

Após algumas horas de caos no aeroporto (como faremos uma Copa?) finalmente decolei.

Foram quase 12 horas de vôo direto para chegar em Istambul. Era a primeira vez que visitava um país asiático e de predominância islâmica. Dois coelhos numa só cajadada.

Minha primeira impressão foi a melhor possível, afinal Istambul tem um aeroporto de dar inveja, pelo menos o dobro do tamanho do Aeroporto de Guarulhos e seguramente muitas vezes melhor.

Ponte do Bósforo: unindo Europa e Ásia
O Estreito de Bósforo divide Istambul entre a parte européia e asiática. Se os pontos turísticos de Istambul estão na sua maioria na parte asiática, sugiro aos que pretendem visitar a Turquia ficarem, como eu, hospedados na parte européia (mais nova) que concentra a vida noturna

Istambul, diferente do que muitos pensam não é a capital turca (Ancara é a capital) e está para aquele país como São Paulo está para o Brasil.

Não bastasse toda riqueza histórica de Istambul, a cidade também possui também opções de bons restaurantes e compras para todos os bolsos. Desde Nisantasi, os Jardins de Istambul, até o Grand Bazar a 25 de março deles, vale gastar um tempo com compras em Istambul. Jantar no Reina garantirá um bom momento para se recordar, boa comida, boa frequência e um excelente ambiente.

Mercado Egipício: aromas, cores e sabores.
São inúmeros os pontos turísticos de Istambul, Grand Bazar, Mercado Egípcio, Santa Sofia, Mesquita Azul, Galata Tower, Cisternas Romanas, Bósforo etc.

A Turquia é um país de grande beleza natural e de história riquíssima. A Anatólia região da Ásia onde está a Turquia já viveu sob o domínio de várias civilizações a ressaltar gregos, romanos e otomanos.

Organizada como república a Turquia data de 1923, após três anos de guerra de independência.. Mustafa Kemal "Ataturk" liderou os turcos em seu processo de independência contra gregos, ingleses, italianos e franceses que ocupavam o país como resultado do desfecho da primeira guerra mundial.

Ataturk, o pai dos turcos, é definitivamente a mais respeitada e cultuada figura da Turquia. Sua imagem é onipresente, está desde bandeiras vendidas nas praças até as paredes das lojas e claro nas notas de Liras Turcas. Não é para menos, além de liderar seu povo na luta pela independência, Ataturk fundou uma república laica num país de maciça predominância islâmica algo único ainda nos dias de hoje.

Turquia: localização estratégica
A Turquia seria um excelente exemplo para o mundo islâmico ao separar estado de religião, porém ao invés disso torna-se cada vez mais uma isolada exceção. Apesar de toda atenção do Estado para a questão, já há quem aponte um desconfortável e perigoso crescimento do fundamentalismo islâmico em pequenas cidades do interior do país, assim como nos subúrbios de grande cidades como Istambul.

Numa lógica muito parecida com a do tráfico de drogas aqui no Brasil, o fundamentalismo islâmico florece onde falta uma presença mais marcante do Estado.

Questões como o movimento separatista curdo, o fundamentalismo crescente e a importância estratégica da Turquia como passagem entre os continentes europeu e asiático, fazem com que se aumentem as apostas de que no futuro (talvez próximo) o país passe por algum tipo de tensão. Torço para que não, mas confesso ter algum ceticismo...

Voltando à viagem...

Ruínas de Éfeso,
ao fundo biblioteca.
Viajar pela Turquia é viajar pelo tempo. Para aqueles que gostam de aprender história "in loco" visitar as ruínas de Éfeso se torna um programa imprescindível. As ruínas falam muito de sua época e apresentam um raro estado de conservação.

Seja como peregrino, seja apenas como turista, próximo à Éfeso pode-se visitar o que creêm ter sido uma casa habitada por Maria em sua passagem pela Anatólia após a crucificação de Jesus Cristo.

Depois de Éfeso parti rumo a Capadócia onde me deparei com um cenário de rara beleza natural, ainda mais quando contemplada num vôo de balão. Por €170,00 pode-se comprar esse sonho que pode durar até uma hora. Uma simples caminhada pela calçada oferece mais risco que esse vôo que é extremamente seguro. Para aqueles que possam ter medo sugiro que se superem e façam o passeio, fiquem certos que valerá a pena e terá sido uma das maiores emoções de suas vidas. Comigo foi assim.


Depois de sobrevoar a Capadócia com suas formações rochosas tão peculiares era hora de voltar para Istambul o que fiz a partir de Ancara a capital.

Malzoléu de Ataturk
De minha breve e proveitosa passagem por Ancara ressalto a visita ao malzoleu de Ataturk, uma espécie de Lincoln Memorial versão turca, assim como a visita ao museu das civilizações que permite uma boa visualização da "timeline" da Anatólia e das civilizações que a dominaram.

Como em toda boa viagem acabou ficando um gostinho de quero mais. Visitar as ruínas de Tróia e outras localidades no verão devem valer mais uma visita à Turquia, quem sabe um dia?

Güle güle (Tchau)

Notas:


Tina:
A melhor guia do mundo
a) Agradecimento a guia Tina da Meridien Tours que fez de minha viagem uma experiência ainda mais agradável e enriquecedora;

b) Se pode com facilidade usar Euros na Turquia numa conversão rápida de 1 para 2;

c) É fácil pensar em liras turcas, os preços são praticamentes equivalentes em real;

d) A água de torneira não é potável, só beba água mineral;

e) O turco, via de regra, é simpático aos turistas, especialmente com brasileiros, assim aprender uma ou duas palavras chaves como obrigado e bom dia pode aguçar ainda mais essa simpatia já natural aos turcos;

f) É impossível, pela riqueza histórica do país, conhecer a Turquia por conta própria, assim prepare-se para uma viagem num ritmo alucinante, sem descanso e com hora pra tudo, mas que ainda assim vale muito a pena;

g) A Turkish Airlines tem uma tripulação excelente, todos muito simpáticos e atenciosos, bem diferente da maioria das companhias aéreas, especialmente as americanas. Chegar bem cedo para o "check in" pode render um bom upgrade a preço de banana;

h) Encontrei a melhor turma possível nessa viagem. Muito obrigado a todos vocês, especialmente ao Fernando Gosling e sua linda família, ao Fabio Gomes e a Clarrise, aqui de Sampa, ao Pereira, Mariana, Edu e Manoela, povo de São Luiz do Maranhão, gente séria, trabalhadora, diferente de uns outros famosos daquele pedaço do Brasil.


domingo, 20 de fevereiro de 2011

Mimi (sobre o que é o amor...)

Desde que nascemos vamos montando o mosaico de nossas convicções.

O certo e o errado, o bom e o mau, aquilo que é gostoso e o quiabo, vamos colocando as coisas nos seus devidos lugares.

Assim firmamos nossas certezas sobre esse ou aquele tema. Quão mais longa é nossa jornada, mais esses valores se cristalizam em nosso íntimo, muitos deles tornando-se parte fundamental do que somos.

Raul disse um dia que preferia ser uma metamorfose ambulante do que ter uma velha opinião formada sobre tudo. Sábias palavras (dentre tantas outras).

Cresci (como a grande maioria dos meninos) tendo entre meus grandes amigos alguns cães.

Teddy foi um deles. Lindo, negro, um genuíno vira-lata. De porte médio, mas com tamanha altivez que nem desconfiava de sua origem assim não tão nobre. Lembro orgulhoso do dia em que ele colocou Marfim, o bacana do pedaço, pra correr.

Os anos se passaram e cresci amando os cães e, digamos assim, sem o mesmo apreço (nenhum na verdade) pelos gatos.

Afinal de contas "o cão é o melhor amigo do homem", enquanto os gatos "não pertencem a ninguém, são seus próprios donos, só fazem o que querem".

Meu filho mais novo, o Kike, é o diferente daqui de casa. Enquanto a humanidade vive sob o domínio da Microsoft, ele é um applemaníaco (talvez o maior deles). Enquanto todos buscamos algo para crer ele se sai com uma dessas, justificando seu ateísmo:

- Quanto mais sabemos pai... menos acreditamos.

Kike um dia resolveu: queria um gato. Um gato?

A casa entrou em guerra. Eu não gostei da idéia, enquanto o irmão detestou imaginar um bichano pela casa.

Kike come o mingau pelas beiradas, nunca queima a boca e sempre consegue o que quer.

Com o gato não foi diferente e quando me dei conta lá estava o Mimi andando pela casa.

Bom, deixando a originalidade do nome de lado, Mimi estava entre nós.

De início já fui impondo limites "inegociáveis". No meu quarto nem pensar, se viesse se esfregar em mim bateria um penalti tendo sua cabeça como bola etc.
O "predador" em ação

Mimi foi chegando como quem não quer nada, assim como seu irmão Kike, e tomando conta do pedaço, conquistando-nos um a um, até mesmo seu irmão mais velho que insisti em chamá-lo apenas de "gato" numa tentativa frustada de manter a imagem de durão.

Lembro do dia em que, pela primeira vez, ele veio me receber quando eu chegava do trabalho, igualzinho como meus filhos faziam quando crianças.

Pela porta entreaberta pude ver ele olhando e vindo em minha direção. Ligou seu motorzinho e não sossegou até ter minha atenção e carinho.

Realmente o convívio com o Mimi me mostrou que ele não tem dono, que carinho ele faz e recebe quando quer. Mimi tem vontade própria e se não fala nossa língua, fala com o olhar como poucas pessoas são capazes e acredite é capaz de sentir meu estado de espírito como ninguém. Se estou pra baixo, não me falta um carinho seu.

Preguiça de dar inveja
Além do afeto que despertou em mim, Mimi também me mostrou que existe alguém mais preguiçoso que eu e o Dorival Caymmi.


Por crer que nada na vida é obra do acaso, acredito que a missão de Mimi em minha  vida é mostrar que nunca devemos ser assim tão reféns de "velhas opiniões formadas sobre tudo" , principalmente, "sobre o que é o amor".

sábado, 13 de novembro de 2010

Tiririca Free!

Se a candidatura de Tiririca deu o que falar sua eleição então...

Durante o processo eleitoral levantou-se a possibilidade que Tiririca não fosse alfabetizado, não sendo assim elegível.

O registro da candidatura exige apenas uma declaração de próprio punho como forma de comprovar a alfabetização do candidato. Com as atenções voltadas para Tiririca surgiu então essa dúvida, mas e os demais eleitos todos são de fato alfabetizados?

Durante essa semana submeteram Tiririca a um inédito teste de alfabetização, do qual não se sabe bem ainda o resultado até por que “alfabetizado” é um termo que pode ganhar uma razoável dose de subjetividade, afinal entre ler e interpretar um texto existe um fosso colossal a ser transposto.

Tiririca Free!
Além da questão sobre ser ou não alfabetizado, recai sobre Tiririca a acusação de que teria cometido crime ao supostamente forjar uma declaração de próprio punho.

Esse episódio nos traz uma série de constatações e possíveis reflexões.

Quanto à autoridade eleitoral fica a dúvida: qual o motivo (já que é necessária alfabetização) dos candidatos não serem previamente submetidos a um teste padrão constatando previamente se são ou não aptos a se elegerem?

É verdade que o ENEM tem nos demonstrado que realizar exames em grande escala parece não ser nosso forte, mas ainda assim me parece ser o meio mais razoável e justo para essa questão.

Do Ministério Público, uma vez que contesta a veracidade da declaração de Tiririca, se espera um tratamento equitativo fazendo um levantamento generalizado de todos os candidatos eleitos ou não. Será que somente Tiririca burlou a declaração, se é que o fez?

Ora será que o mesmo Ministério Público é tão rigoroso com as “taxas de sucesso”, com os “recursos não contabilizados” ou mesmo com as recentes “inconsistências contábeis”?

A grande reflexão, porém não diz respeito aos procedimentos da autoridade eleitoral ou sobre a conduta do Ministério Público e sim para qual de fato é a vocação democrática de nossa sociedade.

Pau que bate em Chico tem que bater em Francisco, ou se aplica a lei a todos os candidatos, ou que se dê voz às urnas...

Ora, vexatória ou não, a eleição de Tiririca, antes de legal é legítima, é reflexo de nossa sociedade, de nossa desesperança, de nossa cidadania e educação (ou falta delas).

Impedir a posse de Tiririca é calar seus 1.350.820 eleitores, “abestados” ou não, eles merecem serem ouvidos.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Um país dividido.

Dilma Rouseff foi eleita a primeira presidente mulher do Brasil. Há quem veja nisso algo de histórico ou avanço de alguma ordem, não é meu caso.

Para mim pouco importa o gênero ou mesmo a orientação sexual de um governante, o que conta (ou ao menos deveria contar) é sua capacidade de gestão, orientação ideológica e biografia (ou ficha corrida dependendo do político).

Não votei em DiLLma, mas antes de tudo sou brasileiro e desejo a ela toda sorte do mundo. Vai precisar...

DiLLma herda um país que sai dividido das eleições. Dividido regional, intelectual e ideologicamente. Enquanto DiLLma venceu nas regiões Norte e Nordeste, Serra obteve melhores resultados no Centro-Oeste, Sul e Sudeste, a mesma relação se dá também entre os que tem um menor e maior nível de escolaridade respectivamente.


Semelhança ou coincidência? Clique e veja.


Com ânimos menos aflorados a presidente terá de fazer o país voltar a normalidade da disputa republicana. Não será uma tarefa simples.

Se no congresso DiLLma parece ter folgada base parlamentar, o eleitorado na esfera estadual está bem dividido pendendo para a oposição.

DiLLma foi eleita é verdade, mas para isso contou com um cabo eleitoral com mais de 80% de popularidade além da máquina governamental, assim seus 56% não chegam a ser grande mérito e não devem lhe render uma lua de mel muito longa. Vale lembrar que nas vezes que LuLLa foi eleito obteve mais de 60% dos votos.

O novo governo deverá manobrar com habilidade sua maioria. Um rolo compressor agora com a oposição aparentemente "machucada, arisca e ressuscitada" pode ser um tiro no pé.


Rolo compressor governista?
Durante os oito anos do governo LuLLa pouco se avançou em termos de reformas estruturais e as reformas fiscal, previdenciária e partidária não saíram do papel.

Tomara que eu esteja enganado, mas não vejo mudanças no horizonte. Reformas implicam em enfrentar privilégios o que definitivamente não tem sido o forte do PT no governo, pelo contrário...

Há quem pense que essa nova etapa do PT no poder deva ser mais noticiada nas manchetes políticas do que policiais. Será? Se com a mão de ferro de LuLLa (muito maior que o PT) não foi assim e brotaram aloprados, com DiLLma será diferente mesmo? Não creio e torço sinceramente para estar errado. Tomara...

Institucionalmente o avanço que essa eleição traz para o Brasil é que por um lado teremos um governante que com menos carisma irá ter que trabalhar mais e de outro lado o aparente ressurgimento da oposição no país. Já não era sem tempo...

domingo, 24 de outubro de 2010

Presidente, cabo eleitoral ou jagunço?

Nunca votei em Lula e mais do que nunca não me arrependo.

É indiscutível a beleza da trajetória de Lula, que saiu do sertão nordestino atingindo o mais alto posto da nação. Da mesma forma, não cabe questionamento sobre seu papel na luta contra a ditadura e sua fundamental importância no sindicalismo brasileiro.

Confesso que me emocionei quando Lula recebeu seu “diploma” de presidente. Sua comoção foi contagiante.

O carisma de Lula é de rara grandeza, porém a mim nunca pareceu ser maior que a virulência sectária de seu discurso.

No papel de líder sindical esse sectarismo, se não pode ser considerado ideal, é relativamente esperado, já no papel de chefe da nação é inadmissível.

Um presidente é eleito pela maioria, mas deve governar para todos.

Se a nação coloca suas feridas à mostra num processo eleitoral, eleito, cabe ao presidente reagrupar o país. Numa democracia pode haver maioria e minoria, mas nunca vencedores e vencidos, isso só cabe numa guerra.

Nunca votei em Lula, o original, não seria agora que votaria num inexpressivo genérico seu.

Respeito, defendo, lutaria se fosse preciso, pelo direito daqueles que mim discordam. Opiniões divergentes são imprescindíveis à democracia.

Chegamos ao ápice do processo eleitoral. Lula que até então havia de forma vexatória ignorado a lei, agora abandonou definitivamente a liturgia de seu cargo (nunca prezou mesmo), colocando-se, em suas próprias palavras, como cabo eleitoral.

Pura pretensão, Lula não chega a tanto. O presidente não chega a cabo eleitoral, está muito mais para um jagunço, chefe de bando.

Dias atrás José Serra foi impedido por militantes do PT de prosseguir numa caminhada pelas ruas do Rio de Janeiro. Ânimos exaltados, empurra-empurra, culminaram com o arremesso de uma bobina de fita adesiva que atingiu a cabeça do candidato tucano.

Imaginei que o exercício de dois mandatos presidenciais tivessem minimamente lapidado algum senso diplomático e cívico em Lula. Ledo engano...

Deixando de lado o que se espera do chefe supremo de uma nação, apenas apostando no elementar, era de se esperar que o presidente se colocasse incondicionalmente crítico ao ocorrido, se não por convicção, ao menos por conveniência.

Um presidente com um senso mínimo de compostura com o cargo que exerce, poderia ter se saído com uma nota assim:

- “Lamento o ocorrido com o candidato José Serra. Vivemos um processo eleitoral, paixões se afloram, convicções políticas são debatidas, ainda assim não podemos admitir nenhum tipo de violência nesse processo, nem mesmo verbal, o que se dizer então de alguma ação de ordem física.

- O militante que atirou a bobina de fita adesiva, assim como o que atirou a bolinha de papel no candidato José Serra cometeram um erro grave e recebem minha mais veemente censura.

- Que esses gestos não sejam atribuídos a toda nossa militância, pois não é essa nossa vocação. Respeito o candidato José Serra, seu partido e principalmente seu eleitores, que antes de tudo são cidadãos do país que honrosamente presido”.

Ao contrário disso o que fez Lula?

Não bastasse não censurar a atitude violenta da militância presente naquele encontro pelas ruas do Rio, Lula ainda acusou José Serra de fraude. (veja a acusação de Lula.  http://bit.ly/bKvLjZ )

Entre admitir que um militante mais exaltado cometeu uma falta, ou acusar o candidato adversário, Lula não hesitou e acusou Serra. Isso mesmo, uma absurda inversão de valores, insano... (veja matéria no Jornal Nacional desmentindo Lula  http://bit.ly/9Vj3L8 )

Ao invés de atuar como chefe da nação, como uma reserva de autoridade moral, no papel de unificador, de fomentador de consenso, Lula jogou gasolina na fogueira.

Ao não admitir o erro cometido pelos militantes, colocando a culpa pelo imbróglio na conta do candidato adversário, Lula dá um aval velado ao constrangimento pelo qual passou Serra.

É possível, cabível até, que se critique José Serra por tentar tirar proveito eleitoral dessa passagem, mas isso não muda em absolutamente nada a gravidade do ocorrido e a equivocada posição da Presidência da República.

A democracia é um bem precioso, nos custou vidas, assim não podemos admitir que ninguém atente contra ela, nem mesmo com uma simples bolinha de papel.






sábado, 9 de outubro de 2010

Agnelli x Gabrielli (ou quanto pode custar ao trabalhador um governo de "trabalhadores")

Profissional do mercado de capitais brasileiro desde 1986 venho testemunhando a história de nosso país.

Como profissional vivenciei todos os planos econômicos, as crises pós-globalização, as privatizações, a crise cambial brasileira, apagão, atentado ao World Trade Center e a alternância do poder na jovem democracia brasileira. Tudo isso recheado por seis eleições presidenciais.

Dentre esses eventos as privatizações representaram um marco em especial para nosso mercado de capitais, assunto esse sempre presente em época de eleição.

Foi através do mercado de capitais que o governo brasileiro encontrou compradores para as empresas submetidas ao processo de privatização.

Lembro bem das manifestações “operárias” contrárias as privatizações, como da mesma forma das manobras de bastidores daqueles que temiam pela extinção de privilégios.

Após uma guerra de liminares, ufa, o Brasil se rendia ao óbvio: o real e devido papel do Estado na economia.

Vale do Rio Doce é um bom exemplo de como uma empresa pode ser bem mais útil à nação nas mãos da iniciativa privada ao invés de gerida pelo governo. Nesse caso cabe bem a máxima “o boi só engorda com o olho do dono”.

Não tenho aqui a pretensão de me estender em números, mas sim chamar a atenção para a ordem de grandeza dos eventos e a lição que eles no dão.

Vale do Rio Doce foi privatizada em 06.05.1997 recebendo o Tesouro Brasileiro pela venda de sua participação na empresa US$ 3,3 bi, valor insignificante se comparado aos resultados atuais da empresa.

Ainda hoje, existem inúmeros questionamentos sobre esse processo, todos redundando no, suposto, baixo valor apurado com a privatização.

Vale lembrar que o processo de privatização se deu através de edital de leilão público em bolsa de valores e ainda assim foram necessários recursos financiados pelo BNDES para viabilizar o processo.

É importante ressaltar que a participação do Tesouro Brasileiro na Vale do Rio Doce foi vendida para o melhor comprador credenciado a participar do leilão, ou seja, a alienação se deu pelo melhor preço possível naquele momento.

Minha opinião: se o governo brasileiro tivesse doado a Vale do Rio Doce para qualquer um que demonstrasse capacidade de gerir a empresa já teria sido excelente negócio.

Para quem não concorda sugiro que pesquise o quão mais a Vale do Rio Doce hoje emprega e arrecada impostos. A diferença dos números é astronômica.

Diferente de quando sob controle estatal, hoje são critérios de eficiência e meritocracia que orientam as ações da empresa, diferente de quando nas mãos do governo a empresa era um grande cabide de empregos além de foco de corrupção.

Obviamente vários fatores influenciam a valorização de mercado de uma empresa, mas mesmo que se levando isso em consideração a evolução comparativa entre Vale do Rio Doce e Petrobrás nos leva a inequívoca conclusão de que um governo de trabalhadores pode custar muito caro a um trabalhador que tenha resolvido poupar seu FGTS comprando ações de Petrobrás.

É possível que se argumente que Vale se beneficiou da elevação dos preços dos minérios enquanto Petrobrás foi penalizada pela queda nas cotações do petróleo, ainda assim a diferença dos números é gritante.


Agnelli x Gabrielli, eficiência e partidarização
Se por um lado a Vale é presidida por Roger Agnelli com foco na defesa do interesses dos acionistas da companhia, a Petrobrás em contrapartida é comandada pelo companheiro José Sérgio Gabrielli em profundo alinhamento com os interesses do governo em detrimento dos interesses dos demais acionistas.

Se Agnelli foi conduzido ao comando de Vale por sua trajetória de sucesso como executivo, Gabrielli, de origem acadêmica, hoje comanda a Petrobrás tendo como principal e inexorável qualificação sua filiação partidária.

As incertezas durante o recente processo de capitalização de Petrobrás, a pulverização da participação do minoritário no capital da empresa, associados ao temor de ingerência política na condução da companhia, tornou ainda mais evidente a disparidade da valorização das companhias.

O mercado está errado? Ok, o mercado erra, mas é soberano.

Se ao longo do tempo Vale vem se valorizando significativamente mais em relação à Petrobrás, em 2010 essa realidade não foi diferente.

Em agosto desse ano, portanto antes da capitalização de Petrobrás, Vale chegou a ter valor de mercado superior ao de Petrobrás até então detentora do título de maior empresa latino-americana.


Pelo fechamento do mercado em 08.10.2010, Petrobrás está com perda acumulada de 27,57% no ano, isso mesmo, quase um terço do valor da empresa, enquanto no mesmo período Vale do Rio Doce valoriza-se 13,01%, ante uma valorização do Ibovespa de 3,24%.

Números...quem pode com eles?
Comparativamente ao desempenho de Vale do Rio Doce, apenas nesse ano a gestão dos “trabalhadores” custou ao trabalhador brasileiro 56%.

Ainda assim, diante de fatos tão claros, há quem defenda uma maior participação do Estado na economia, há quem seja contra as privatizações. Se você for da turma “delles” tudo bem, caso contrário para ter seu Land Rover é melhor deixar seu dinheiro na mão de profissionais.

Obs: A Petrobrás é uma grande empresa, patrimônio do país, detentora de tecnologia de ponta e dispõe de um corpo técnico de qualidade incontestável, continua sendo uma excelente opção de investimento. A empresa é tão fantástica que vem heroicamente resistindo a todas as ingerências políticas das quais tem sido vítima.