quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Hora de ser feliz!!!


Todo ano é assim, um ciclo se encerra, a gente faz um balanço, vê onde errou o que poderia melhorar e procura se encher de uma energia (que não sei nem desconfio da onde vem) para encarar o novo tempo que chega.

Esperança é o nome que se dá a esse sentimento que nos faz crer que o que está ruim vai melhorar, que vai dar certo (seja lá o que for pelo que cada um de nós está torcendo) e que sim teremos forças para enfrentar as adversidades que possam surgir.

Amanhã na hora da virada do ano, nos reuniremos como sempre fazemos, algumas cadeiras estarão vazias nos fazendo lembrar os que partiram, mas também haverá aqueles que chegaram para nos mostrar que por maior que seja a dor da partida é a alegria da chegada que nos alimenta e nos faz seguir em frente.

De todas as partes do mundo a humanidade irá se unir numa corrente esperando por melhores tempos, chegando até mesmo a nos fazer crer que eles são possíveis, independente de nossas diferenças de raças e credos.

Ontem, hoje, amanhã e sempre, acreditar é a chave, é esse o combustível que deve nos mover.

Racionalmente pode-se imaginar que toda essa esperança, corrente positiva, e mais lá o que seja não deverá dar em nada, mas é isso mesmo que temos a perder acreditando num futuro melhor: nada. Ou alguém acha que torcer para que as coisas dêem certo pode influenciar para acontecer o contrário?

Talvez seja ingenuidade minha, mas o que eu perco tendo esperança que a gente pode sim melhorar cada vez mais, que com o passar dos anos a gente possa evoluir, ser mais justo e que o mundo possa ser um lugar mais legal para meus filhos e para os meus neto?

Hoje, diferente de quando mais jovem, percebo com mais clareza a finitude das coisas e seu espírito cíclico. Ainda são frescas as lembranças da agonia e partida de meu pai.

Lembro que a unidade de tratamento intensivo dividia andar com o berçário. Indo e vindo do hospital naqueles dias, era no berçário após o horário de visita, observando os pequeninos que chegavam, que buscava entender como estava se dando a partida de meu pai.

Temos o tempo a favor para nos ajudar a resolver os problemas ele é sempre um grande aliado, mas a contrapartida é que de certa forma ele é escasso, então também não temos tempo a perder.

Amanhã, o futuro, não é nada mais do que um monte de “hojes” somados uns aos outros, então não há o por que esperar para lutar pelo que se quer, para se falar o que se sente, para se viver o que há para se viver, assim...sejamos felizes.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O beija-flor e as flores da manhã.

Vivi um período de escuridão em minha vida.

A tristeza havia tomado conta do meu coração. Por vezes deixei até mesmo de me dar conta da minha maior fortuna pessoal: minha família.

Passei dias perdido dentro de mim mesmo. Depressão em estado bruto.

Se não tenho (nenhuma) saudade daqueles dias de trevas, a contrapartida disso é que hoje sou fruto de tudo o que vivi, especialmente das adversidades que me forjaram, me tornaram mais forte. De certa forma, creio que esse momento foi um divisor de águas em minha vida, consolidou em mim o que sou, sedimentou minhas convicções. Lutei e não me perdi.

Foi uma época de profundo questionamento de minha essência: o quão de fato eu era adequado para o mundo? Qual era meu espaço, num mundo, que aos meus olhos premiava aqueles que não tinham sensibilidade, que não pautavam sua conduta pelo respeito ao próximo, que se moviam por interesses menores.

Aquela dinâmica que parecia dominar o mundo e suas relações não era a minha e era como seu eu fosse um beija-flor num mundo feito para gaviões.

Foi nessa época que me deparei com o trabalho da cantora Vânia Abreu. De voz doce e sedutora, com canções lindas capazes de falarem fundo na alma, a arte dessa baiana tocou meu coração.

A beleza de suas canções fez com que eu visse que havia sim no mundo pessoas com capacidade de enxergar além do que seus olhos podem ver, capazes de não ceder a apelos fáceis, capazes de seguirem seu rumo, mesmo que para isso tenha que se pagar um elevado preço. O preço de ser especial, de não fazer parte da manada.

Com canções como As quatro estações, Dó de mim entre outras, Vânia me conquistou, trouxe um fecho de luz... me ajudou a sair do breu.

Anos se passaram.

Certo dia a notícia: Surgiu uma oportunidade e lá fui eu conhecer a Vânia pessoalmente após um de seus shows. Frio na barriga. Ainda mais doce do que eu pudesse imaginar Vânia foi de uma tremenda atenção. Como fã até que me comportei bem... Eu acho.

Enviar e receber e eis que recebo duas semanas atrás um email, era um convite e tanto: show de Vânia Abreu, no (lindo) Teatro Bradesco para gravação de seu primeiro DVD. Custei a acreditar. De pronto confirmei minha presença e comecei contar os dias. No dia e hora marcada (aliás, duas horas antes) lá estava eu com a Rô contando os minutos para o início do show.

Num show assim, que tem como finalidade a gravação de um DVD, são vários os momentos quando uma música precisa ser executada mais de uma vez... Maravilha... Teria ficado horas e horas, quantas fossem necessárias.

Não bastasse a qualidade de sua música, Vânia brindou os presentes com um gesto de enorme grandeza: um sincero pedido de desculpas.

No calor da gravação ao apresentar sua banda, Vânia apresentou Paulo Dáfilin, apenas como violinista da banda, quando na verdade além de responsável pelos arranjos e pela Direção Musical, Paulo é seu grande parceiro ao longo de sua carreira.

Com a humildade de poucos, bem poucos que se diga, Vânia contando com a compreensão de todos e pediu se era possível repetir a canção quando ela havia apresentado a banda para refazer essa apresentação de forma mais “adequada” a importância de seu parceiro. Gesto lindo, além do que ganhamos mais uma música de lambuja. Eu adorei: o gesto e o repeteco.

A contagem dos dias agora é para poder constatar o resultado daquela noite que vai ficar gravada em minha memória pelo resto dos meus dias.

Muito obrigado Vânia por sua atenção comigo quando de nosso encontro, por sua arte que tanto me encanta e que fez de minha vida ainda mais feliz!

Visite:

http://www.youtube.com/vaniaabreucantora

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Joga pedra na Geni – Capítulo II – O julgamento final.

De um lado uma aluna de gosto (ou ausência dele) mais que duvidoso, do outro um bando de selvagens, atiçados por uma minissaia mais provocante (parecia um show da Rita Cadilac no Carandiru) e imaginava-se que já teríamos aí os elementos necessários para a tragédia do episódio ocorrido na fundamentalista UNI(TALI)BAN, certo?


NÃO!!!


Assim como num anúncio das facas ginsu...


- Mas espere não é só isso!


Para surpresa de qualquer ser minimamente pensante lá vem a Direção (qual?) da dita universidade (assim com letra minúscula bem miudinha) e expulsa nossa Geni, ou Geisy como queiram, num "julgamento" de dar inveja a qualquer ditadurazinha de oitavo mundo.


Numa nota inclassificável, pelo menos quando se abre mão de usar um vocabulário chulo, a Direção (soa engraçado usar a expressão "Direção") defende a ação dos alunos.


Com dirigentes assim não é mesmo de se estranhar o comportamento, ou melhor, o mau, melhor ainda, o péssimo comportamento dos alunos envolvidos no episódio.


Num trecho a nota diz textualmente:


"Foi constatado que a atitude provocativa da aluna, no dia 22 de outubro, buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar, o que resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar".


Defesa do ambiente escolar?


Se o que vimos era uma manifestação de defesa do ambiente escolar imaginem quando aqueles alunos (?) resolverem fazer bagunça... Sai de baixo.


A UNI(TALI)BAN apesar de instituição privada, deveria pautar suas ações pela defesa do interesse público de formar jovens.


Nesse sentido, deveriam aproveitar a oportunidade e dar para Geni um manual de bons modos e etiqueta no ambiente, dito, acadêmico. Advertências, suspensões e aí sim talvez como último recurso a expulsão. Aos alunos em geral a instituição deveria ministrar noções elementares de civilidade com ênfase a tolerância.


Mas se isso me parece tão óbvio, me pergunto: por que não o fizeram?


Óbvio, a UNIBAN não passa de uma instituição com foco unicamente mercantil, assim não há como resistir ao apelo de tentar transformar a vítima em ré, algo mais velho do que andar pra frente.


De novo numa atitude meramente mercadológica, ressentindo-se da péssima repercussão de sua "sentença", a instituição voltou atrás.


Tarde demais...







domingo, 1 de novembro de 2009

Joga pedra na Geni.


Navegava pela internet na semana passada quando me deparei com a seguinte manchete: “Aluna da Uniban ameaçada de estupro no campus por usar minissaia”.

Se a chamada da matéria já me parecia insana, bizarra, seu conteúdo era ainda pior.

Uma aluna teria sido ameçada de estupro por ter ido para a aula com uma minissaia provocante. Que não tenha sido de fato ameaçada de estupro, ok. Exagero da matéria? Ok!

Mas o que dizer da saída da aluna escoltada por policiais, num episódio que parou toda a universidade, nos brindando com cenas de selvageria e hipocrisia, um inacreditável linchamento moral? Inacreditável? Será mesmo?

Não escrevo para defender o bom gosto da moça, ou mesmo a ausência dele. Ok!

O ambiente acadêmico deveria ser freqüentado com trajes mais adequados? Ok! Que seja...

Uma questão apenas: o que teria de acadêmico um ambiente freqüentado por todo tipo de selvagem? Que me perdoem os habitantes das selvas pela comparação. Uma selva deve ser um ambiente bem mais harmonioso, definitivamente mais equilibrado e menos caótico do que o campus da UNIBAN ABC. Animais por animais, os selvagens são bem menos perigosos.

Há quem tenha se espantado pelo ocorrido ter se dado dentro de uma universidade: eu não!

Algum tempo atrás, num desses meus textos mundialmente lidos por umas três ou quatro pessoas, chamava a atenção para a apatia das organizações sociais no Brasil, em especial a UNE.

O episódio ocorrido nas depências da UNIBAN – ABC (guardem essa sigla), ilustra bem essa realidade. A agressão sofrida pela aluna nos mostra que a UNE é uma representante mais que legítima da classe estudantil brasileira. Ações como essa, o silêncio da UNE e dos alunos em geral, que não foram capazes de organizar um movimento contrário, nos dá bem uma dimensão do perfil médio do estudante brasileiro. Deve haver uma minoria contrária ao ocorrido, a manada porém...

Mas Geisy veio nos salvar, ela é a nossa Geni.

Na obra de Chico Buarque, a Ópera do Malandro, a prostitua Geni era agredida por todos, dizia assim o refrão:

Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni.

Por uma noite com Geni, o comandante do Zepelim que queria bombardear a cidade mudaria de idéia, aí o refrão passa a ser:

Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geléia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo - Mudei de idéia
- Quando vi nesta cidade
- Tanto horror e iniqüidade
- Resolvi tudo explodir
- Mas posso evitar o drama
- Se aquela formosa dama
- Esta noite me servir
Essa dama era Geni
Mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela
- e isso era segredo dela
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão
Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni

Que a agressão sofrida por Geisy sirva para salvar nossos estudantes de sua ignorância e intolerância. Afinal eles são “o futuro da nação”;

Que sirva de exemplo de como não se deve agir diante do “diferente”;

Que usem toda essa capacidade de se indignar para quem sabe tentar melhorar o país;

Que usem sua liberdade de se expressar, não para agredir covardemente quem quer que seja, mas sim para protestar contra tantos desmandos que acontecem no Brasil.

Que ao menos se calem, pelo que vimos já será um grande avanço.

sábado, 31 de outubro de 2009

As garrafas coloridas...


A vida vai passando e vamos conhecendo novas dimensões dos nossos sentimentos.



Há quem diga que a palavra saudade só exista na língua portuguesa, não havendo uma correspondente exata, que dê o mesmo sentido a mesma dimensão, em outras línguas. Nostalgia, sentir falta... Saudade é isso, mas é mais, muito mais, difícil mesmo de explicar.

Aprendi encomendando uma coroa de flores por ocasião da morte de meu pai que para saudade não existe plural:


- O sentimento é tão forte que o singular é suficiente. Explicou-me o atencioso florista enquanto confeccionava meu derradeiro presente para meu pai.

Um colega de trabalho sempre dizia que nascemos para sentir saudade, mesmo que seja de ontem.

Inexplicável que é, a saudade tem uma gama de intensidades, que vão desde a saudade gostosa de se sentir, aquela de alguém que chegará em breve, até a mais doída de todas que é aquela que sentimos de alguém que perdemos e que nunca mais vai voltar. A saudade é sentimento, mas numa situação de perda definitiva se apresenta numa forma física, uma falta de poder tocar, de abraçar, de sentir o cheiro, uma saudade que não passa.

Uma saudade gostosa (?) de se sentir é a saudade de nossa infância. Há quem tenha sofrido nessa fase e que talvez não guarde boas lembranças, via de regra porém, uma infância minimamente saudável guarda momentos deliciosos de serem relembrados.

De minha infância tenho saudade de muita coisa, de brincadeiras de rua, de fazer balão (naquela época podia), mas uma em especial é a da Rural do Seu Jarbas.

O Seu Jarbas era o pai da Profa. Miriam, Diretora do Externato Brigadeiro Faria Lima, onde eu estava na pré-escola.

Além de pai da Diretora o Seu Jarbas também era o motorista responsável pelo transporte escolar. Dividindo minha atenção entre o fim do episódio dos Três Patetas e a chegada do Seu Jarbas, ansioso esperava por mais uma viagem naquela Rural azul que me parecia tão grande.

Os mesmos amiguinhos, o caminho o mesmo, ainda assim cada dia parecia reservar uma nova aventura.

Por aquelas janelas eu via o movimento das ruas, as pessoas (todo mundo tão grande) e vibrava quando cruzava uma viatura policial, ainda mais quando nossos acenos eram retribuídos pelos policiais que naquela época ainda eram associados a heróis. Saudade do tempo que a gente sabia quem eram os bandidos e os mocinhos. Saudade.

Como pai, tenho saudade de meus filhos pequenos. Era muito jovem e hoje percebo que não vivi aquele momento com a intensidade devida, tinha tanta responsabilidade, tanto medo do futuro e da vida que de certa forma, peninha, não vi aquele tempo passar.

Acho que sentimos tanta saudade, porque no fim das contas percebemos que o tempo, implacavelmente, passa. Passa rápido. Tão rápido que dia desses me deparei com a saudade de meu filho pela sua infância.

Voltáva para casa quando o celular tocou. Era o Kike, ligando do Canadá.

Conversa vai, conversa vem, ao ser descrito um trecho da estrada por onde passava naquele momento, uma surpresa, Kike falou sobre sua saudade de uma lojinha de produtos de limpeza que ia quando era bem criança para fazer compras.

Toquinho de gente, sua cabecinha ficava na altura das "garrafas coloridas", as garrafas onde eram colocadas detergentes e outros tipos de produtos de limpeza, que com suas cores encantavam aquele menininho. Coisa de criança, mas que ficou marcada.

O tempo passa, a saudade não.

OBS: Depois que publiquei esse texto, foi a vez de meu filho mais velho ter saudade da infância. Em viagem a Ubatuba no feriado ligou dizendo que estava tendo boas lembranças das viagens que fazíamos à praia do litoral norte paulista. Mal se lembra ele quantas vezes deixamos de ir nessa mesma praia na sua fase "hardcore". Odeio areia...bem que podiam asfaltar tudo, dizia...É o tempo passa mesmo, já a saudade...



domingo, 25 de outubro de 2009

Celebrando o amor.


Sábado passado, atendi o mais honroso convite que recebi em minha vida. Meus amigos Luiz Marcos e Cristiane, por ocasião de seu “Open house” resolveram a seu modo se casar. Eles dizem que não, mas foi sim um casamento. Para a ocasião fui convidado a fazer uso da palavra em nome dos presentes e foi essa minha mensagem:

“O que é o amor?


Sentimento complexo, para cada um ele tem um sentido próprio, uma palavra que o ilustra.


Existem vários tipos de amor. Do menino pela Bola, pela bicicleta (ou nos dias de hoje pelo video game e Ipod), do poeta por seus versos, do homem pela mulher e por que não de um homem por outro ou de uma mulher por outra...desde que seja amor.


Existe para mim um outro tipo de amor, o de uma alma por outra, esse amor eu chamo de amizade. É esse meu amor pela Cris e pelo Lú.


Para que você possa de fato considerar alguém amigo o primeiro passo é, (passada a paixão, afinal a gente se apaixona também pelos amigos), descobrir qual é o seu ou seus defeitos, só assim superando essa fase de ver e entender qual o defeito de alguém é que essa amizade pode se consolidar.


É só quando você de fato percebe que aquela pessoa vale a pena, que veio para sua vida para ficar, amigos de verdade são para sempre.


O Lú antes de mais nada foi uma conveniência para mim. De tanto que falo não raro me pegava falando sozinho, dando carona eu tinha alguém com quem conversar e ainda não passava por maluco. Foi nessa fase que tive meu primeiro contato com a rabugice do LÚ, esse cara de manhã parecia um pitbull. Não demorou para o pessoal da empresa nos chamar de Raposo e Tavares. Ele tem mesmo uma cara de Raposo e eu acho q tenho uma cara de Tavares.


Nossos defeitos e virtudes estão bem próximos. Se o Lú é meio rabugento é porque antes de tudo ele é uma pessoa justa, correta e crítica que não se deixa levar pelo que é conveniente, mesmo que para isso haja um preço a pagar, afinal sua essência não tem preço.Sua maior virtude é para mim a maior das virtudes: saber se desculpar. Isso não é para qualquer um é para poucos e o Lú é um desses.


Aprendi muito com o Lú em suas gotas de sabedoria. "O que mata véio é frio e tombo", "lobisomem sabe para quem aparece" e a melhor de todas: "pardal procura pardal". Foi assim, desse jeito que a pardal albina pintou na área.


A Cris ainda era uma mocinha quando a conheci. O adjetivo diz apenas respeito a pouca idade naquela ocasião, afinal de contas não estamos diante de um docinho de coco, aliás bem ao contrário. Não precisei de muito tempo de convívio com ela para logo lhe apelidar de Jumá Marruá, a mulher onça.


Pisa do calo dela que ela vira bicho, mas sabe porque, espere do mundo que seja uma atitude incoerente, mas nunca da Cris, se você quer ilustrar o sentido dessa palavra pense nessa moça que sempre soube o que quis, que estabelece sempre uma linha reta entre onde ela está e o que ela quer.


E foi assim sendo como são que os pardais se encontraram...


Sendo assim como são, com seus defeitos, mas principalmente com suas virtudes que eles entraram em minha vida para ficar, foi assim que eles me colocaram aqui diante de vocês...


Eu estava trabalhando quando alguém me chamou no messenger: era a Cris.


- Má, precisamos falar com você...pessoalmente.


Será que vão me pedir dinheiro emprestado? Se não forem...peço eu, pensei, afinal estava meio caidão mesmo...


Chegou o dia enfim de nos encontrarmos, brincadeira deixada de lado, o que eu pensava era que se tratava da formalização de um convite para sermos padrinhos.


Meio assim, meio assado, lá veio o convite que me fez cair o queixo, segundo a Cris não haveria uma cerimônia religiosa, afinal não era um ‘casamento’ era só o open house, mas eles queriam que eu (isso mesmo eu) falasse algumas palavras. Que responsabilidade, que privilégio.


Meu primeiro impulso foi pensar: mais uma chance para me exibir. Quem sabe não seria o nascimento de uma nova igreja? Milhões...pensei.


Passados os primeiros e tentadores segundos me dei conta, agora falando sério, do privilégio e responsabilidade que me haviam sido dados. Eu que pelo anos venho testemunhando de perto, bem de perto, essa relação agora tinha essa incumbência.


As palavras da Cris e do Lú soavam em minha mente...religião...casamento...


Uma vez li um artigo que falava sobre religiosidade em algum lugar naquelas linhas abordava-se a divergência que havia quanto ao sentido da palavra religião. Uma versão dizia algo como religar, unir o homem a Deus, a outra falava em relegere que significava o contrário de negligência, religião então seria zelo,respeito. Na ocasião pensei: porque não poderia então ser as duas coisas?


Já que me foi dada essa tarefa fui fazer a lição de casa.


Fui pesquisar então o que quer dizer casamento.


Casamento advinhem só? Vem de casa, construir uma casa, assim como matrimônio vem de mater (mãe) e patrimônio, o que dá a idéia de lar.


Desconfio que estamos sim numa cerimônia religiosa, não no sentido de estar ligada a essa ou aquela crença religiosa, mas sim de estarmos testemunhando um ato de zelo e respeito mútuo entre a Cris e o Lu, desconfio também que estamos num casamento, que tem sua trajetória e forma própria, mas que amadureceu no sentido não somente da construção de uma “casa” no sentido físico, mas mais que isso um “lar” o que a gente testemunha aqui é o extâse de uma relação, sua plenitude...que seja duradoura mas tanto quanto isso que seja intensa.


Acredito que todos aqui compartilhem da alegria de termos sido eleitos para vivenciar esse momento, assim como participar dessas vidas, assim nossos votos não devem se restringir a desejar um futuro ainda mais brilhante e feliz, mas antes disso a agradecer a Cris e ao Lu a benção de termos suas amizades.


Esse agradecimento porém não deve se restringir aos “noivos” mas também aos seus pais, afinal há quem diga que a fruta não cai longe do pé, se por um lado cada um de nós é único em sua essência, não há como negar de onde viemos, quando vemos com mais profundidade o que nós somos.


Ao Lú e a Cris não vou desejar que sejam felizes, mas sim que sejam ainda mais felizes.”


Esse foi um momento e tanto, um dia que levarei sempre comigo no meu coração, o dia em que celebrei o amor.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Orgulho.


Era dezembro de 1989.

Fim do mês, dia 28. Um dia que iria mudar nossas vidas.

Nascia Caroline, nossa Carol. Para a mãe Rosana e o pai Ronaldo, era primeira filha, para os avós Armando e Neusa a primeira neta, para mim a primeira sobrinha.

A primeira sobrinha, ah, mas com gosto de filha. Amei essa menina, hoje uma moça (que o tio ciumento insiste em não admitir que já é uma mulher) desde o primeiro momento em que a vi. Lindinha desde sempre...

Na medida do possível, dentro dos limites, sabendo bem qual meu lugar (de um tio que ama como pai) procurei estar sempre ao seu lado mesmo quando isso quis dizer dar um "puxãozinho de orelha" para colocar as coisas no rumo.

Zeloso que sou com esse nosso tesouro, sempre fiz meu papel e aos candidatos a namorado busquei ser...como podemos dizer...uma ameaça concreta as suas vidas. Ali no pé da orelha sempre avisei:

- Se a magoar...vou te punir.

Orgulho para mim e para toda família, Carol é uma menina especial. Não é corujice de tio não e quem a conchece sabe bem disso.

Com sede de saber, agarra as oportunidades que surjem sempre se transformando em alguém ainda melhor. Carol tem meu amor incondicional (apesar de corinthiana).

Decidida, escolheu as Relações Internacionais como curso universitário do qual hoje é aluna do primeiro ano na PUC.

Eis que na última edição da revista Carta Capital, na seção de opinião do leitor, temos lá publicada uma carta muito especial sobre a atuação do Brasil na crise hondurenha. Autora? Ela mesma: aquele bebezinho lindo que ainda ontem estava em meus braços, a Carol.

Amo você que tanto me enche de orgulho.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Viagem ao Canadá.

Falei em meu último texto de um casal de amigos que fizemos em nossa viagem ao Canadá.

Se a passagem por Toronto já tinha sido válida por isso...Teve muito mais.

No primeiro dia de nossa chegada ao solo canadense, aproveitamos o resto de dia para irmos para a CN Tower. De lá vimos o fim do dia com seu lindo por do sol e o anoitecer com as luzes da cidade. Lindo!

No dia seguinte embarcamos na estação Union para de trem irmos para Niagara Falls. Lá exploramos as cataratas pelos mais diversos ângulos. De longe, de perto, de barco e de helicóptero. Isso sem contar a vista da qual dispunhamos de nosso quarto no Oakes Niagara Hotel que ostenta a honrosa distinção de ser o mais próximo daquele monumento da natureza.(http://www.oakeshotel.com/).

Para fechar o dia por aquelas bandas um jantar (poderia ter sido num lugar melhor, a companhia merecia, enfim...) e uma passada pelo casino. Se o restaurante não era lá grande coisa, a passada pelo casino valeu a pena, pois deu para ganhar uma graninha numa mesa de poquer caribenho.

Logo pela manhã voltamos para Toronto e ga$tamo$ o dia fazendo compras. Os preços de eletrônicos no Canadá são bem convidativos e até um pouco mais baratos que nos EUA. No fim do dia o jantar sobre o qual falei com os amigos Jaime e Juliana.

Na quinta-feira dia cheio. Royal Ontario Museum, Casa Loma e a noite show do U2.

Vale a visita ao Royal Ontario Museum que tem um acervo bem interessante. Desse eu destacaria a parte dedicada a história canadense, além de um setor reservado a demonstração da evolução da estética. Bem ilustrativo esse acervo faz um didático passeio por cada fase da estética explicando-as em linhas gerais, ressaltando suas principais características. Bem legal mesmo. Uma sugestão: faça uma visita virtual ao ROM (http://www.rom.on.ca/).

A outra atração turística de Toronto que visitamos no mesmo dia foi a Casa Loma. Depois de termos descido uma estação antes da correta (o que nos custou uma boa caminhada, valeu pela boa companhia e pelo belo visual) chegamos ao nosso destino.

Um palácio privado de propriedade originalmente de Sir Henry Pellatt, financista, industrial e militar, preservado até hoje em seus mínimos detalhes. Para o meu gosto, uma visita a Casa Loma é obrigatória numa passagem por Toronto (saiba mais www.casaloma.org/ ).

Quanto ao show do U2 tudo que eu escrevesse seria pouco. A cada novo álbum, Bono, The Edge, Larry e Adam se superam. Mesclando os novos sucesso como Magnificent e Get On Your Boots com algumas das principais canções de sua vasta discografia o quarteto irlândes (como sempre) levou o público ao delírio numa apresentação apoteótica. Não bastasse a performance da banda, a estética dessa nova tounê merece uma menção mais que honrosa. Sem frente nem fundo, em 360 graus, o palco por si só já é um show a parte. Espero que assim como da última vez o U2 se apresente também no Brasil para por mais quantas noites forem possíveis eu estar lá novamente.

$exta-feira, último dia em Toronto, era a derradeira oportunidade de ga$tar mais algum e lá fui deixar mai$ um pouco de minhas parcas economias. Ainda bem que como turista parece que vou conseguir ao menos recuperar parte do imposto pago. Tomara.

Sábado de manhã embarcamos para a mais importante parte de nossa viagem ao Canadá: visitar nosso filho Kike.

Ansiosos desembarcamos contando os inifinitos segundos até encontramos nosso jovem herói desbravador. Não menos ansioso ele estava lá de prontidão nos esperando. Foram dois intensos, longos e curtos dias diante nossa saudade. Mas valeu e muito.

Segunda-feira era hora de voltar para o Brasil. Volta cada vez mais difícil, mas isso é assunto para outra hora, ou melhor, outro texto.

OBS: Caso queira ver o video dessa viagem me envie um email (mcporto@uol.com.br) que eu mandarei um convite para a instalação do DROPBOX (Um pen drive virtual de 2GB, vale a pena) e assim poderei compartilhar esse arquivo. O YOUTUBE bloqueia videos que tenham algumas trilhas sonoras, sorry...

sábado, 22 de agosto de 2009

Um país acéfalo e sem vergonha.


Nasci no início da ditadura militar que durou minha infância e adolescência.

Minha vida adulta começou simultaneamente a democracia no Brasil. Modesta, dei minha contribuição militando no movimento estudantil secundarista, militância essa que custou muitos cabelos brancos ao meu saudoso pai.

Lembro, com orgulho, do Movimento das Diretas-Já que levou milhões de brasileiros as ruas pedindo por democracia, exigindo eleições para Presidente. Eu estava lá.

Além do movimento suprapartidário, toda a sociedade se fazia representar naquele momento.OAB - Ordem dos Advogados do Brasil, ABI - Associação Brasileira de Imprensa e UNE - União Nacional dos Estudantes além de tantas outras instituições representavam a sociedade civil brasileira através de outro prisma que não o partidário.

Naquela ocasião, se havia uma representatividade política natural a uma sociedade por intermédio dos partidos políticos, havia também outro nível de organização representativa, manifesta por entidades da sociedade civil. Éramos capazes de nos organizarmos politicamente, mas também o éramos sobre a ótica social.

É possível que se pense que o grande escândalo do momento diga respeito às acusações que recaem sobre o ex-presidente José Sarney, hoje Presidente do Senado, mas será mesmo? Ledo engano.

É óbvio que a atual situação do Presidente do Senado empurre latrina abaixo qualquer senso de vergonha que possamos ter se é que temos algum senso de alguma coisa, seja lá o que for. Porém, o grande escândalo que assola o país é a acefalia da qual parecemos acometidos irreversivelmente.

Pior do que Sarney ter eventualmente tirado proveito indevido de sua posição como mandatário supremo do Poder Legislativo, é a total apatia da sociedade brasileira diante desse fato.

Se o cidadão José Sarney (mesmo não sendo um cidadão comum, pelo menos para o Presidente Lula – comum somos eu e você que trabalhamos e pagamos impostos) tem todo direito a ampla defesa, se tem para si o inalienável direito a presunção de sua inocência, na condição de Presidente do Congresso Nacional, assim como a mulher de César, não basta que seja honesto, ele deve aparentar tal.

Precisaria de uma vida para arrolar aqui todos os problemas que afligem o Brasil, temos muito a discutir, temos muito para avançar. Reformas Fiscal, Tributária e da Previdência, entre tantos outros assuntos, de forma que não podemos nos dar ao luxo de ver a mais alta casa legislativa do país inerte e dedicando o meu, o seu, o nosso tempo, discutindo a honestidade de quem quer que seja.

Tivesse o Senador José Sarney um pingo de espírito público ao primeiro questionamento de sua honestidade, esse se declararia impedido de permanecer na sua posição de Presidente do Senado, e com o legítimo título de Senador da República se defenderia de toda e qualquer acusação que sobre si recaísse. Atestada sua honestidade o homem público José Sarney novamente se colocaria a disposição do Brasil, para que se fosse o caso novamente se fizesse uso de seus préstimos.

Ao contrário disso, sua Excelência se prende ao cargo como se fora um urubu sobre um pedaço de carniça (que me perdoem pela comparação os admiradores da famigerada ave).

Pensando bem é isso mesmo, não passamos de um pedaço podre e fétido de um organismo agonizante. Não fosse assim, instituições como as citadas estariam arregimentando a sociedade civil para que ocupássemos as ruas num grito uníssono por vergonha.

Num país onde a União Nacional dos Estudantes é submissa a um governo que a patrocina através de estatais como a Petrobrás, como pensar em ter um pingo que seja de vergonha na cara.

domingo, 19 de julho de 2009

Volta logo...

Carta para meu filho Henrique, o Kike, por ocasião de sua viagem de intercâmbio ao Canadá, com retorno previsto para 01.02.2010
Nesse momento alguns quilômetros já nos separam. Separam? Talvez nos distanciar, nada é capaz de nos separar.

Começo a te escrever essa mensagem, ainda no sábado as vésperas de sua viagem, longa viagem, para a ponta de cima da América, para o belo e frio Canadá. Seis meses...

Será um teste e tanto. Para todos nós que ficaremos aqui te esperando, todos nós que tanto te amamos, mas também para você. Um desafio que certamente você irá vencer. Serão dias para não se esquecer jamais, como aqueles cinco dias de nossa viagem São Paulo, Miami, New York, com direito a show do Coldplay no Madison Square Garden, lembra?

Se para você o mundo já é pequeno frente sua ânsia de saber, o que se dirá então após essa experiência que certamente será um divisor de águas em sua vida?

Certamente virão dias de alegria pelas novas conquistas, amizades e experiência, assim como os momentos em que a saudade irá lhe mostrar o quão doída ela pode vir a ser. Nessas horas não se esqueça de onde você veio, teu lar, onde há um lugar que é só teu e que estaremos dia-a-dia esperando por seu retorno.

Acredito que devemos viver cada dia como se fosse o último (um dia será...), no seu caso então viva intensamente cada minuto dessa viagem. Aproveite todas as oportunidades, não perca um passeio, nem a oportunidade de conhecer novas pessoas, pois quem sabe uma ou mais delas poderão chegar em sua vida para ficar, quem sabe?

Se o Caio me fez maior, mais forte diante do desafio da vida, você me fez melhor.

A chegada do Caio despertou em mim um guerreiro ávido por proteger seus domínios, um caçador na busca do sustento de sua família, sua chegada despertou em mim a serenidade para buscar o caminho da sabedoria e do equilíbrio. Era preciso entender (ou ao menos tentar) mais profundamente a natureza das coisas, não fosse assim como ao menos saciar sua vontade de saber, seus questionamentos? Apontar caminhos não é uma tarefa fácil, ainda mais para um filho que filosofa:

- Pai: quanto mais a gente sabe, menos a gente acredita...

Foi quando perdi meu pai que pude ter a dimensão de sua grandeza meu filho. Ninguém ao meu redor foi capaz de me confortar tanto quanto você mesmo que com apenas seus sete aninhos naquela época.

Um dia um texto meu sobre paternidade serviu de convite da festa de dia dos Pais, meu texto havia tido como inspiração sua redação sobre o “Estojo: Um lugar muito especial. Moradia do lápis, capaz de escrever todos os sonhos, mas também da Dona Borracha que tudo podia apagar”... Só você, mesmo que com tão pouca idade, para escrever algo tão especial, talvez até mesmo além de sua compreensão. Que orgulho o meu por ser teu pai...

Diferente de você que, apesar de sua sensibilidade, é cético e contestador por natureza, acredito em Deus, uma força maior, difícil de descrever, mas ao qual te entrego nas mãos pedindo que te proteja de qualquer mal e que te traga (logo) de volta para mim.

Quando a gente menos esperar iremos estar juntos para aquele abraço de “Ursão”, afinal você é o filho dele.

Te amo.

P.S. Obrigado por me ensinar a gostar do Coldplay.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

O "o que" e o "como".


Vivemos nossas vidas repetindo rotinas diárias.

Acordar, ir ao banheiro, escovar os dentes etc...

Eventualmente mudamos a rotina, tem o dia da academia, do futebol com os amigos e assim vamos vivendo nossas vidas, dia após dia, sem nos dar conta do quanto pequenas coisas, corriqueiras até, podem ser de fato bênçãos que nos passam desapercebidas.

Vinha vivendo dias difíceis em minha vida. Como empreendedor, vida pessoal e profissional acabam se misturando, sofrendo uma simbiose, virando uma coisa só, caminhando juntas a par e passo. Andava meio baqueado diante das dificuldades. Até mesmo para o esporte vinha faltando ânimo. Nada como uma boa dose de “imprevisto” para mexer com isso.

Era mais uma manhã de terça. Eu nem desconfiava, mas em minutos iria começar um novo e doloroso capítulo de minha vida.

Havia acordado, colocado minha roupa de tênis e descia até a quadra para fazer mais uma aula. Quantas ainda seriam necessárias para eu poder dizer que de fato jogo tênis pensei como sempre faço antes de cada aula.

- Fala Mestre! Gritei ao avistar meu professor.

Foram minhas últimas palavras antes de resvalar com a ponta do pé num pedaço de madeira e...

Minha lembrança mais exata é tentar levantar e perceber que meu braço direito não acompanhou meu corpo, ficando inerte rente ao chão. Meu braço fez um “L”. Ao contrário. Digno de um desses vídeos do Youtube, daqueles que a gente vira o rosto de paúra.

Não sei ao certo se primeiro gritei de dor e desmaiei depois, ou se primeiro desmaiei e comecei a gritar depois, nem sei bem ao certo se desmaiei. Gritar, eu gritei, disso lembro bem.

Dor.

Nunca havia sentido nada igual, nada que pudesse ao menos servir como base de comparação.

Com muito esforço tentei me manter acordado. Graças a Deus, Chips, meu amigo e professor, estava lá. Não fosse ele...

Pegamos uma ripa de madeira (eu segurando minha mão e o Chips meu cotovelo) e a colocamos debaixo do meu braço, fixando-a com uma faixa.

Maria a empregada e um senhor que trabalhava na obra, ambos em choque, ajudaram no que seus limites permitiram. Para todos fica minha gratidão pelo socorro prestado.

Coube a minha esposa a dolorosa tarefa de superar os quilômetros que separavam nossa casa do Hospital Albert Einstein. Cada balançada do carro, mínima que fosse, me causava ainda mais dor. Quase que desmaiei durante o trajeto.

Depois de minutos que pareceram horas finalmente chegamos ao hospital.

MORFINA!

Bendito seja quem inventou a droga do Deus do sono, Morfeu.

Raio X. Ressonância. Sala de cirurgia. Anestesia. Recuperação. Cotovelo no lugar.

Esperar.

Dois meses aproximadamente me separam do dia em que definitivamente saberei a extensão de meu acidente. Até lá é esperar meu organismo trabalhar e ver do que ele é capaz em minha recuperação.

Desde uma recuperação total sem necessidade de mais nenhuma intervenção (possível, mas pouco provável) até uma funilaria geral (reconstrução de ligamentos, artroscopia e correção de fratura) tudo é possível.

Não escolhi ter que passar por isso, assim como tantas outras situações que a vida nos impõe, mas como vou passar por esse processo só vai depender de mim. Eis um valioso ensinamento de Alcéa, a terapeuta, que carrego comigo.

Que Deus me ilumine e me dê forças. Esses dias desde então não tem sido fáceis, desde um simples abotoar de botão, até a higiene pessoal, tudo antes tão simples, agora se mostram tarefas árduas de serem superadas, mas...

Faltam 57 dias.

sábado, 4 de julho de 2009


Dias atrás recebi um torpedo de meu irmão: Michael Jackson morreu.


Incrédulo, fui pesquisar na Internet. Começaram a pipocar notícias confirmando a morte do astro pop.


Essa mesma incredulidade de que fui tomado parecia ser recorrente, era como se ninguém acreditasse que Michael Jackson pudesse morrer. Era como se de repente nos déssemos conta de sua fragilidade humana em contraposição com a divindade que aprendemos associar a imagem do astro.


Recentemente havia sido anunciado o retorno de MJ aos palcos numa série de 50 shows em Londres, seria a manobra para resgatar a carreira do astro que andava no ostracismo nos últimos tempos.


Ansiosos os fãs pelo mundo em minutos esgotaram os ingressos para a série de shows.


Acredito que muitos desses fãs nunca tiveram o privilégio de ver o astro em ação e essa seria uma oportunidade imperdível para constatar ao vivo do que o prodígio dos Jacksons Five era capaz.


Fui um dos privilegiados que assistiram ao show de Michael Jackson no Brasil. Um dia para não se esquecer. Uma produção como eu nunca havia visto antes. Aliás, eu não, o Brasil nunca presenciara algo daquela magnitude.


A abertura do show já pagava o ingresso e era a expressão mais fiel da relação de Michael com seus fãs. Em meio a uma explosão o astro surgia num salto como se fora um felino dando um bote. Imóvel o astro postava-se no centro do palco, permanecendo assim por infindáveis segundos, talvez minutos. Era como se aquela manobra tivesse por objetivo permitir que seus fãs ao mesmo tempo em que descarregavam a adrenalina da espera, admirassem o astro, ali imóvel como se fora uma imagem de si mesmo, uma imagem a ser cultuada, como numa liturgia religiosa. Mais que fãs, Michael arregimentou ao longo de sua carreira, seguidores com paixão fervorosa como aquela comum aos fanáticos religiosos.


Tudo parece já ter sido dito sobre Michael. Do menino que não teve infância tendo que se tornar um adulto precocemente ao adulto que como Peter Pan insistia em não querer crescer. Assim como sempre, mas mais que nunca, sua vida nesses últimos dias foi revirada nos mais íntimos detalhes. Seus filhos expostos. Suas mazelas iluminadas com a mórbida luz do “interesse público”.


Mesmo que ainda insepulto, o espólio de Michael Jackson já mobiliza exércitos que travarão uma sangrenta guerra. É a miséria humana em uma de suas mais puras formas.


No fim das contas se o frágil corpo de Michael Jackson não resistiu, se o corpo do astro sucumbiu pelas marcas que sua história de vida lhe impôs, o astro, agora um mito para sempre estará mais vivo do que nunca. Com sua morte física, Michael além de enfim poder descansar em paz, irá retomar o lugar que sempre foi seu, de um astro único e inigualável, que atravessou gerações e que certamente ainda irá conquistar muitos fãs.

sábado, 20 de junho de 2009

Obrigado Muricy!


Sou um apaixonado.


Procuro colocar vibração e emoção em tudo que faço. Futebol então...


Sou saopaulino. FANÁTICO!!!


Vou ao estádio, vibro e sofro com meu time. Mais vibro do que sofro, apesar de que são as derrotas que parecem me fazer ainda mais saopaulino. São nessas horas que percebo com mais clareza meu incondicional amor ao tricolor paulista, amado clube brasileiro...tu és forte, tú és grande, dentro os grandes, és o primeiro....


É de se imaginar então que esse ano não está sendo fácil para mim.


Não, claro que meu time não caiu para segunda divisão, afinal de contas estou falando do mais vitorioso time da história do futebol brasileiro, hegemônico em conquistas do título nacional, continental e mundial.


Primeiro o insucesso no Paulista. Agora a desclassificação da Libertadores. Doeu perder para o Cruzeiro em casa, mas mais do que a derrota em si, o maior incomodo foi a forma apática que meu time se apresentou.


Ganhar e perder fazem parte do jogo, apesar de que para nós saopaulinos a vitória é sempre mais corriqueira. Arrogância tricolor? Não, apenas números.


A maior perda porém não foi a derrota em campo, mas sim o desligamento de Muricy Ramalho do São Paulo.


É fato que era hora de reformular o elenco do São Paulo, salvo honrosas exceções, hora de limpar a casa. Faz parte da natureza das coisas, ainda mais quando se trabalha em grupo. De tempos em tempos é preciso revigorar as tropas, não necessariamente os generais, esses devem, tem que durar mais.


Poderia ser o próprio Muricy o condutor desse processo, aliás em minha opinião, ninguém melhor que o próprio, até para corrigir seus erros. Dos defeitos de Muricy, burrice não é um deles, assim certamente essa derrota traria ensinamentos ao nosso técnico. Ensinamentos que ele poderia usar a nosso favor e não contra o que brevemente irá acontecer ou alguém acha que Muricy não tem mercado e vai ficar desempregado?


Transparente, até demais, Muricy nunca foi uma flor do campo no quesito relacionamento. Virtude em exagero vira defeito. Por vezes faltou a Muricy uma certa capacidade de transigir, assim nosso adorável rabugento foi abrindo frentes de batalha, criando desafetos. Muitas frentes abertas ao mesmo tempo é fórmula certa para queda, Napoleão, Hitler e tantos outros nos ensinam isso.


Como saopaulino lamento demais a saída do Muricy, para mim uma perda irreparável. Olha que nem estou levando em conta a contratação de seu substituto, Ricardo Gomes um notável "nada" como técnico. Aliás nem como jogador Ricardo Gomes me encantava. Ele era meio torto, assim como um carro desbalanceado...


Vou sentir falta da vibração do Muricy e de sua interação com a torcida, não me lembro de nenhum técnico (nem mesmo Telê Santana), que desse essa relevância para a torcida tricolor.


Muito obrigado Muricy, pelos títulos, por sua garra e por seu respeito para com nós torcedores.


Desejo para Muricy toda sorte do mundo.


Ah! Desde que não seja contra o tricolor.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Lalá: um vencedor.

Passei por uma tremenda mudança em minha vida. Emagreci muito. Nasci de novo.

Nesse processo comecei a correr, algo que passou a fazer parte de minha vida.

Com treinos específicos você pode melhorar sua performance e ser mais rápido, mas eu que definitivamente não tenho o biotipo clássico de corredor (aliás bem ao contrário), vou mais na base da força de vontade, na dedicação, na linha do devagar e sempre.

“Fazer tempo”, como se diz no mundo dos corredores, depois de algumas contusões (todas elas frutos da busca de melhores resultados) é algo que está definitivamente fora de minhas pretensões. Já me convenci que correr para mim tem que ser algo confortável. O importante é chegar bem, conciliando o prazer de concluir a corrida com o bem-estar que essa atividade pode te proporcionar, sem stress. “Run for fun”.

Dos prazeres que correr já me deu, batizar novos corredores é o maior deles. Testemunhar o início de uma trajetória, presenciar a superação de um limite, a chegada de um novo corredor para nossa “turma”, não tem preço. Aliás, essa turma não para de crescer e as provas de rua são a maior prova disso.

Por meu intermédio grandes amigos chegaram a esse universo.

De todas as provas e momentos que compartilhei com esses amigos, de todos os batismos, um em especial guardo com profundo carinho.

Era um fim de ano e eu havia conversado com meu amigo Laércio, o Lalá, sobre estar correndo e como isso era bom. Entusiasmado ele fez sua primeira inscrição. Era uma Corpore de Natal, corrida comemorativa de 5,5km, sem marcação de tempo, dentro do Parque do Ibirapuera.

Começamos bem, curtindo a prova e seu clima festivo. Lá pelo KM 3 meu amigo começou a apresentar os primeiros sinais de cansaço. Ajustamos as passadas, buscamos um ritmo ainda mais confortável e fomos superando metro por metro a distância que ainda faltava.

Reta final. Apenas quinhentos metros nos separavam da linha de chegada, mas o cansaço parecia ser uma barreira instransponível. Era hora de correr com o coração, deixar a emoção de superar aquele limite, fazer daquele momento o marco inicial de uma trajetória que ainda traria muitas conquistas.

Correndo ao seu lado com palavras de apoio, tirei do “Lalá” suas últimas forças para cruzarmos a primeira de muitas linhas de chegada que estariam por vir.

Não consigo esquecer a alegria de meu amigo por conseguir completar sua primeira corrida. Era a primeira conquista de muitas que viriam.

Hoje, 1.6.2009, pela manhã recebo a seguinte mensagem do Lalá:

“O tempo passou rápido desde as primeiras passadas nas corridas e com a sua ajuda completei minha primeira prova. Estava contaminado pelo bichinho da corrida e ontem, 31/05/2009 completei minha primeira maratona.”

Eu que um dia te apoiei em sua primeira corrida, tenho agora em você exemplo e fonte de inspiração para um dia também fazer minha primeira Maratona.

Parabéns Lalá por sua conquista. Estou muito orgulhoso de você.

domingo, 24 de maio de 2009

Juma Marruá: uma força da natureza.

Sorridente, divertida, uma “muleca”.

Essa é primeira imagem que vem na mente para buscar minhas mais remotas lembranças de quando conheci a Cris.

Num visual despojado, barra da calça desfiada, ela cruzava a empresa deixando um rastro de luz, com seus insuportáveis e embriagadores olhos azuis.

Eu que pela vida ganhei irmãos, presentes de Deus, ganhava minha irmãzinha do coração.

Não foi só a mim que ela conquistou e meu amigo Luiz Marcos sabe bem disso.

Ao surgir uma vaga no departamento em que eu trabalhava, seu nome surgiu naturalmente. Tendo começado na empresa como recepcionista e logo sendo transferida para a área de retaguarda era hora de ir para a linha de frente, de ir para a mesa de operações, hora de enfrentar os leões.

Você sabe o que pode ser mais feroz que um leão? Uma leoa.

Foi nessa linha de raciocínio que adaptando sua personalidade a fauna brasileira que adotei para a Cris o apelido de Juma, a Juma Marruá, mulher que virava onça na antiga novela Pantanal.

De uma agilidade quase patológica, Cris subverte o tempo, seus segundos são minutos, seus minutos são horas, e acredite um dia dela em produção vale pela semana de muita gente.

O momento mundial repercute na vida de cada um de nós de uma determinada forma. Seja como for, ninguém está imune. Hora de reagrupar exércitos, rever prioridades, momento de ajustar o rumo, repensar valores.

Contrariando o senso comum, indo contra a multidão, num mundo movido por ganância, Cris corajosamente opta pelo caminho contrário. Menos é mais. Menos trânsito, mais qualidade de vida, menos trabalho, mais prazer, menos neurose, mais alegria.

De mudança marcada para o interior, a cidade de São Paulo perde uma grande cidadã. Daquelas que respeita o próximo e que cobra por seus direitos. Tivéssemos mais dessas e teríamos uma cidade bem melhor.

De personalidade forte, por vezes explosiva, Cris surpreende por aliar esse seu jeito intenso com um senso de equilíbrio e justiça ímpares. Sei disso como poucos (mas isso é segredo nosso...).

Não conheço ninguém tão capaz de converter rapidamente um objetivo em algo concreto. Foi assim na sua graduação, na sua pós-graduação, no seu estágio no Canadá e agora nessa nova etapa de sua vida.

Foco, sem dúvida é uma das palavras que descrevem bem essa força da natureza que numa dessas estações da minha vida embarcou para comigo ir até a estação final.

Testemunhar seu crescimento profissional, mas especialmente pessoal, foi um grande privilégio. Da menina que curtia uma praia (ela ainda curte é claro) a mulher que se encantou por Paris. De aprendiz à instrutora. Um cometa que ainda tem um universo para cruzar...

Amiga fiel seja feliz, conte sempre comigo e coloca carvão na churrasqueira que logo estarei por aí.

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sexta-feira, 8 de maio de 2009

Batman e Robin deixam a Liga da Justiça


Quando eu era criança o Homem Morcego e seu pupilo não eram meus heróis favoritos, afinal de contas eles não tinham superpoderes. Os anos se passaram e comecei a ter uma simpatia maior por esses heróis.

Batman é o mais humano dos superheróis, uma espécie de herói possível.

Diferente do Superman que voa tem visão de raio x entre outros predicados, ou do Homem Aranha que captura malfeitores em suas teias e cruza a cidade pendurado por entre os prédios, Bruce Wayne e Dick Grayson combatem os vilões usando sua astúcia, apetrechos tecnológicos além de uma boa dose de preparo físico e coragem.

A dupla dinâmica passa a mensagem que combater o mal é algo que está ao nosso alcance, algo possível, uma vocação, uma opção.

O quadro político brasileiro nunca foi um mosaico dos mais belos de se admirar, ao contrário sempre se caracterizou por ser fétido e putrefato. Mesmo que na condição de raríssimas exceções alguns nomes eram um senso comum como referência positiva. Eram. Agora não mais.

Confesso que não me causou surpresa alguma essa farra das passagens aéreas. Aliás, a farra não deve se restringir apenas ao uso indevido das passagens, mas também aos preços de aquisição não devem ser os mais justos possíveis. Se para bom entendedor pingo é letra...

Mais do que revelar mais uma das tantas bandalheiras que assolam o país, o escândalo das passagens aéreas teve um outro efeito devastador: destruir a esperança de que pode sim haver políticos com princípios inatacáveis e imunes as tentações do poder.

Difícil de acreditar, mas nem mesmo Fernando Gabeira e Eduardo Suplicy ficaram fora da farra. Enquanto o Deputado carioca emitiu passagens para sua filha viajar para pegar “umax ondax no Havaí”, o Senador apaixonado recebia em Brasília as visitas de sua namorada que viajava com passagens aéreas pagas por mim e por você.

Agora diante do óbvio, uníssonos Batman e Robin prometem devolver o valor das passagens ao erário público. Ah...tá! Seria mais ou menos como um bandido descobrir que roubar um banco é crime e para limpar sua barra querer devolver a grana. É mole?

Pingüim, Coringa, Charada e o Duas Caras, devem estar morrendo de rir...

terça-feira, 14 de abril de 2009

Sony Ericsson Open: cada vez melhor.


Pela quarta vez fomos ao Sony Ericsson Open. Desde 2006 temos assistido as finais desse torneio.

Nas duas primeiras vezes o torneio ainda era conhecido pelo patrocinador anterior a Bolsa Eleltrônica Nasdaq. Nos dois últimos anos o patrocinador passou a ser a famosa marca de aparelhos de telefone celulares.

Se desde então o patrocinador mudou, o torneio não, continua maravilhoso como sempre.

Vimos o apogeu e queda de Roger Federer, a ascensão de Rafael Nadal e o surgimento dos novos nomes promissores do tênis: Novak Djokovic e Andy Murray, campeões de 2007 e 2009 respectivamente. Vimos além desses a bela vitória de Davidenko em 2008no jogo final contra Nadal.

Nesse ano a se destacar:

a) A campeã feminina Azarenka que bateu a até então número 1, Serena Williams;

b) Roger Federer, semifinalista, destruindo uma raquete durante o jogo que perdeu contra Djoko. Cena inédita, que dá bem a dimensão do difícil momento que vive o ex-número 1;

c) A vitória épica de Del Potro contra Nadal no jogo (que não vi) considerado o melhor embate do torneio;

d) A fulminante campanha de Murray rumo ao título. Andy, agora mais encorpado, consegue manter o nível de seu jogo durante toda a partida, aliando cada dia mais sua refinada técnica a uma assustadora e ascendente capacidade defensiva, quase que "nadalina".

O complexo, a cidade, o clima e o público fazem desse torneio cada vez mais ser considerado o "5o. Grand Slam".

Espero estar lá de novo ano que vem.

See you soon...

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sexta-feira, 27 de março de 2009

Ponto de compra.

Era o começo da década de 90, o Brasil e o mundo passavam por uma tremenda mudança. Comigo não era diferente.

Pai fresco (meu filho era recém nascido), sobrevivente de um profundo corte de pessoal na empresa que trabalhava eu iniciava uma nova etapa em minha vida.

Logo após a decretação do Plano Collor a bolsa já iniciava sua recuperação e a empresa começava a recontratar pessoal.

Lembro como se tivesse acontecido minutos atrás, quando vi aquele cara baixinho, marrento uma espécie de Romário versão branca e paulista sendo apresentado como o mais novo operador de pregão da corretora. Ele devia ser folgado pra caramba, pensei. Não estava errado não, mas ele viria a ser muito mais que isso em minha vida.

Coisa do destino era ele quem iria ficar na linha comigo. Numa orelha o cliente mais importante da casa na outra ele que seria meu compadre duas vezes (de seu casamento e de sua filha mais nova), mas mais que isso um irmão que entrava na minha vida para ficar.

Não precisei de mais que alguns minutos na linha com o cara para perceber que realmente ele era o cara. Ágil, era sem dúvida um dos melhores operadores de pregão do mercado de capitais brasileiro. O tempo me mostrou que privilégio o meu, que além de poder conviver com um profissional como esse poderia tê-lo também como amigo.

Em poucos dias de convívio nosso entrosamento era como se fosse de anos. Voltando ao mercado depois de uma tentativa frustrada de ter seu negócio próprio ele se via em meio a uma inesperada separação conjugal. Sereno compartilhou comigo o desafio que se apresentava: reestruturar-se financeira e emocionalmente.

Olhando de fora e vendo seu potencial não tive dúvida:

- Fique tranqüilo, você está em ponto de compra!

Gíria de mercado, ponto de compra quer dizer um preço atrativo para se comprar uma ação, ou seja, uma barbada, comprar e esperar subir a cotação. Passamos onze anos trabalhando juntos naquela empresa. Juntas caminharam nossas vidas.

Crises e mais crises se passaram até que no começo de 2002 fomos dispensados do trabalho. Inicialmente fomos trabalhar na mesma corretora, agora como profissionais autônomos. Independentes, cada um recomeçava sua vida profissional numa iniciativa própria. Mas quem pode lutar contra a natureza das coisas?

O rio sempre corre para o mar.

Pouco tempo depois estávamos juntos novamente numa mesma equipe de trabalho, mas mais que isso, novamente compartilhando o caminho trilhado por nossas vidas. Foram bons anos esses anos todos que passamos juntos.

Voltando ao passado o tempo mostrou que eu estava certo quando havia profetizado “o ponto de compra”.

Desde então esse meu parceiro reconstruiu seu patrimônio, casou-se novamente (eu fui um dos maiores torcedores dessa relação) teve mais dois lindos filhos (um tricolor para minha felicidade), enfim refez seu caminho.

Novos tempos, difíceis tempos, tempo de crise. Novamente o mundo passa por uma profunda mudança. É hora de corrigir rumos, enfrentar novos desafios, hora de se reinventar. Mais uma vez a vida tenta nos afastar. Seguiremos agora cada qual em seu rumo profissional, com a certeza de que um estará torcendo pelo sucesso do outro e que mais dia menos dia a ordem natural das coisas voltará a falar mais alto.

Para você meu compadre, amigo e irmão, Geraldo Pereira Junior, Jú, meu muito obrigado.

Agradeço de coração, pelos tão bons momentos que compartilhamos. Agradeço por trazer para minha vida a Luciana, a Rosaninha, o Kaique e a Tatá. Agradeço também por toda confiança em mim depositada, saiba que fiz meu máximo para poder merecê-la.

Obrigado pelos ensinamentos, em especial por me mostrar a importância de cuidarmos da nossa razão o mais valioso e frágil bem de um homem.

Se sem pretender falhei contigo um dia, perdoe-me.

Toda sorte do mundo, pois competência certamente não lhe faltará nessa nova etapa de sua vida profissional.

Que Deus te abençoe e a sua família e lembre-se que sempre terá em mim um amigo.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Mark by Ben.

Não precisa me conhecer muito para saber o quanto a relação pai e filho está presente em minha vida, seja como filho ou como pai (lembra do vermelho e do azul?).

Você pode teorizar o quanto quiser, mas para entender relação, sua profundidade e intensidade, só tendo um filho mesmo, só vivenciando. Quer destruir um monte de teorias sobre como educar alguém? Tenha um filho. Treino é treino, jogo é jogo.

Se essa é uma das relações com maior potencial de ser dolorosa, afinal ver um filho crescer dói, a contrapartida é que essa é a mais intensa forma de amor.

“Que seja eterno enquanto dure” dizia Vinícius sobre o amor homem-mulher, no caso de um filho o eterno é pela eternidade.

Fuçando na net me deparei com esse vídeo que demonstra mais que qualquer texto pretensioso e ingênuo o quão mágica pode ser essa relação.

Digite no Youtube "Mark by Ben” e veja o vídeo feito por Mark, 14, para ajudar seu pai.